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quinta-feira, 27 de março de 2014

Versão Cefálica Externa (VCE) - para bebês pélvicos (sentados)

Texto da Dra. Melania Amorim





 
Bebê Pélvico ou sentado (foto cedida por paciente do Programa GestaVida)


 Cerca de 3% dos bebês chegam ao termo em apresentação pélvica. Embora o parto normal seja possível nesses casos, há um aumento do risco relativo de morbidade e mortalidade perinatal e o prognóstico dos bebês pélvicos, independente da via de parto, é ligeiramente pior do que o de bebês cefálicos. Na revisão sistemática da Cochrane sobre cesariana vs. parto vaginal programado para os casos de apresentação pélvica, a mortalidade perinatal foi de 0,26% e 1,15%, respectivamente.


Bebê sentado (foto cedida por paciente do Programa GestaVida)
Tentando prevenir o nascimento de um bebê em apresentação pélvica, várias alternativas têm sido propostas, desde medidas posturais (exercícios), uso de moxabustão, acupuntura e a versão cefálica externa (VCE).




A versão cefálica externa consiste na manobra de reposicionar o bebê que se encontra em apresentação pélvica, "virando-o" dentro da barriga através de movimentos manuais combinados com pressão no abdome materno. Era um procedimento relativamente comum na Obstetrícia do passado, mas durante as décadas de 70/80 sua popularidade caiu muito entre os obstetras, devido a alguns relatos e séries de caso demonstrando efeitos adversos. É por isso que muitos obstetras, ainda hoje, condenam o procedimento.

No entanto, estudos mais recentes, a partir da década de 90, têm demonstrado as vantagens do procedimento, desde que realizado por pessoas experientes, com avaliação ultrassonográfica prévia, sugerindo-se o uso prévio de tocolíticos (drogas para diminuir a contratilidade uterina) e a monitoração da vitalidade fetal depois do procedimento. Uma revisão de 44 estudos com 7377 pacientes que se submeteram a uma tentativa de VCE evidenciou que a a complicação mais frequentemente relatada foi alteração transitória da frequência cardíaca fetal (em torno de 6%). Complicações menos frequentes foram sangramento vaginal (0,5%), descolamento prematuro da placenta (0,1), cesariana de emergência (0,4%) e mortalidade perinatal (0,16%) (Collaris 2004). Devido ao risco de isoimunização Rh, a profilaxia com imunoglobulina anti-D é recomendada para gestantes Rh-negativas que se submetem ao procedimento.

Duas revisões sistemáticas da Biblioteca Cochrane estão disponíveis abordando a VCE no termo e pré-termo. Na primeira revisão (2009), foram incluídos sete estudos, com 1245 mulheres. Observou-se uma redução significativa dos nascimentos não cefálicos (RR=0,46; IC 95%=0,31 - 0,66) e de operação cesariana (RR=0,63; IC 95% = 0,44 - 0,90), sem diferença significativa nos escores de Apgar, pH do sangue do cordão, admissão em UTI e morte perinatal. A taxa de cesariana foi de 19,4% no grupo submetido a versão e de 29,6% no grupo não submetido ao procedimento.

Chama a atenção que a taxa de cesariana, apesar de se reduzir significativamente com a VCE, ainda persiste relativamente elevada (em torno de 20%) em mulheres submetidas a VCE bem sucedida, quando comparadas com mulheres com bebês em apresentação cefálica espontânea (taxa de cesárea em torno de 6%) em diversos estudos, sugerindo que alguma sutil anormalidade subjacente, do concepto, do cordão ou da anatomia pélvica podem estar associadas à apresentação pélvica persistente no termo. No entanto, como os grandes estudos observacionais sugerem que complicações do procedimento são raras e que a VCE reduz tanto a chance de nascimento não cefálico como de cesariana, os autores da revisão Cochrane sugerem que há fortes razões para o uso clínico da VCE a termo, com as devidas precauções, em qualquer mulher para quem a chance aumentada de um nascimento cefálico supera os riscos do procedimento.

Em outra RS Cochrane avaliando os efeitos da VCE pré-termo (antes de 37 semanas), comparou-se uma política de VCE iniciando-se entre 34 e 35 semanas com a não-realização de VCE ou VCE a termo. Comparada com nenhuma tentativa de VCE, VCE antes do termo reduz o risco de nascimentos não-cefálicos. Comparada com a VCE a termo, iniciar VCE entre 34 e 35 semanas parece ter algum benefício em termos de reduzir a taxa de apresentação não cefálica e cesariana. No entanto, como a metodologia dos estudos incluídos variou bastante e os dados foram insuficientes para avaliar complicações, os autores sugerem que, apesar de essas evidências serem promissoras, não são adequadas para apoiar uma política de iniciar VCE antes do termo. Como os resultados da VCE a termo já estão bem estabelecidos, até que novas pesquisas forneçam evidências mais conclusivas em torno da segurança da VCE antes do termo, recomenda-se que o procedimento seja oferecido depois de 37 semanas de gravidez para mulheres com feto único em apresentação pélvica e sem contraindicações.

As contraindicações para VCE são: gravidez múltipla, malformações fetais graves, vitalidade fetal comprometida ou morte fetal, outra indicação de cesárea independente da apresentação (p.ex. placenta prévia) e membranas rotas. Contraindicações relativas incluem cesárea anterior, restrição do crescimento fetal e sangramento uterino, porém as evidências não são suficientes para proibir a versão nesses casos.

O procedimento para versão cefálica externa é relativamente simples, e pode ou não ser monitorado por ultrassonografia. Alguns métodos podem ser utilizados para aumentar a chance de sucesso da versão, mas o mais comum e que oferece bons resultados é o uso de terbutalina (250mcg SC 15 a 30 minutos antes do procedimento) para diminuir a contratilidade uterina. Quando uma primeira tentativa de versão falha, mesmo com terbutalina, recomenda-se repetir o procedimento sob anestesia raquidiana, que promove o relaxamento da parede abdominal e aumenta as chances de sucesso.



Várias organizações recomendam que a VCE seja oferecida a todas as mulheres com apresentação pélvica a termo, como por exemplo o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), a Royal Dutch Organization for Midwives (KNOV) e a Dutch Society for Obstetrics and Gynaecology (NVOG).

Em suma, apesar de alguns obstetras ainda acreditarem que o procedimento é obsoleto e não deve mais ser adotado, todo um corpo de evidências nos últimos 20 anos tem demonstrado o contrário. A versão cefálica externa deve ser incorporada à prática obstétrica, uma vez que reduz expressivamente tanto os nascimentos não cefálicos como as taxas de cesariana. Em uma época em que muitos obstetras perderam a habilidade de conduzir adequadamente partos pélvicos, a VCE surge como uma alternativa atraente e segura para mulheres com bebês em apresentação pélvica que querem ter parto normal, mas não estão seguras ou não encontram obstetras dispostos a prestar assistência ao parto pélvico.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Programa Sala de Convidados: Política de atenção ao parto e nascimento

Estou postando 6 vídeos de um programa falando do parto normal é longo, mas vale a pena assistir!

Beijos Thais Ramos

Programa Sala de Convidados no canal Saúde da Fundação Oswaldo Cruz com o tema: Política de atenção ao parto e nascimento

Reuniu o médico obstetra da fundação municipal de saúde de Niterói, Rodrigo Vianna; a enfermeira obstétrica e professora assistente da UERJ, Maysa Ludovice Gomes; a coordenadora da área de saúde da mulher do ministério da saúde, Lena Vania Cardoso Peres e o pediatra e coordenador do curso de especialização em atenção integral à saúde materno-infantil da Maternidade Escola da UFRJ, Marcos Renato de Carvalho.

O programa foi dividido em 6 partes.


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Quer dizer que você quer parto normal?

Li esse texto e adorei, sempre oriento minhas gestantes sobre essas 7 dicas...

 Tenho certeza que irão gostar do texto, tirei do blog: A mãe que quero ser

Quando o assunto é parto, você diz “quero parto normal” ou “vou tentar normal” (e não se fala mais nisso)? Você acredita que, para ter parto normal, basta querer e torcer para que tudo dê certo? Você escolheu um médico do plano que se diz favorável ao parto normal, mas que diz “não se preocupe com isso, do parto cuido eu”?

Se você respondeu “sim” a qualquer uma dessas perguntas, você precisa ler este post. Se você conhece alguém que se encaixa nesse perfil, por favor, repasse o link para ela.



Eis os FATOS: se você vai ter seu filho na rede privada, a probabilidade de acabar numa cesárea se aproxima de 90%. Pense bem: quantas amigas suas começaram naquele quadro acima (“quero normal, meu médico diz que faz”) e terminaram numa cesárea? Não quero te desapontar (pelo contrário, quero ajudar!), mas a verdade é que parto normal não é para qualquer uma. É para quem pode – para quem pode correr atrás de informações confiáveis, pode encontrar a coragem para mudar de médico se o dela for cesarista, pode pagar um obstetra fora do plano ou optar pela rede pública se necessário, pode olhar para dentro e enfrentar seus demônios, pode peitar o marido, a mãe e o escambau. A boa notícia é que você pode ser uma mulher dessas.

Se você quer MESMO parto normal, seguem abaixo 7 dicas para aumentar as chances de ter o parto que você deseja e merece:

1. Informe-se

Parto normal no Brasil é exceção. Especialmente se você tem plano de saúde. Isso significa que você precisa estar ciente das possíveis armadilhas que fazem as mulheres caírem na cesárea, mesmo sem querer. Que armadilhas? Entre elas: os mitos sobre o parto, as falsas indicações de cesáreas, a realidade sociocultural e econômica (em que o normal é o parto cirúrgico), o sistema tecnocrático e voltado para lucros e a formação e a atitude da equipe que vai te acompanhar. Você não precisa mudar nada disso – se quiser tentar, ótimo! – mas não pode fingir que vive num mundo cor de rosa em que o médico vai deixar a natureza seguir seu curso, a equipe do hospital está lá pra te ajudar e o que quer que aconteça estava “escrito nas estrelas”. Acorde e deixe seus olhinhos bem abertos. Ou volte a acreditar em duendes (quer dizer, médicos bonzinhos) e depois não se surpreenda se acordar com uma bela de uma cicatriz na barriga.

2. Escolha um obstetra realmente favorável

A melhor forma de saber se o seu GO “faz” parto normal mesmo (quem faz é a mulher, mas já que essa é a expressão, estou adotando-a aqui, entre aspas) é através da indicação de mulheres que pariram com ele. Se isso não for possível, dê uma de detetive e procure pistas de que ele possa te induzir à cesárea. Fique atenta aos seguintes sinais: ele nunca desmarcou uma consulta (parto normal não tem hora marcada); no consultório, tem várias pacientes chegando para tirar pontos e meia dúzia de grávidas com a barriga do tamanho da sua (ou seja, não vai dar para esperar o trabalho de parto de todas elas); ele não gosta de falar sobre o parto e diz coisas como “deixa isso comigo”; ele é fã das táticas do medo (“o importante é a saúde do bebê”) e vive procurando pêlo em ovo (“temos que ficar de olho nesse líquido…”). Mesmo que ele seja muito querido, muito fofo e te conheça há anos, não se iluda: se ele faz cesárea em 90% dos casos, a sua chance de parir com ele é 1/10.

3. Procure apoio virtual e local

Quem nada contra a maré requer muito apoio e incentivo. Nada melhor que se juntar a pessoas que te entendem, já passaram por isso, e se empenham para ajudá-la a conseguir atingir o seu objetivo. Para isso, sugiro que você participe de listas virtuais como a PartoNosso do Yahoo Grupos, comunidades como a GPM – Gestação, Parto e Maternagem no Facebook e que procure também um grupo de apoio local, onde possa olhar nos olhos de outras mães, ouvir suas experiências e trocar recomendações. Aqui no Rio tem o Ishtar, grupo incrível, coordenado por gente maravilhosa e frequentado por mulheres de todos os tipos (inclusive euzinha).  Também tem Ishtar em Belém, Sorocaba e Recife, e sei que São Paulo tem o Gama, BH tem o Bem Nascer e Curitiba tem o Espaço Aobä. E não devem ser os únicos. Procure por esses grupos, vá a um encontro (são gratuitos) e saiba que você não está sozinha.

4. Prepare sua cabeça (e o corpo também)

É preciso muito preparo psicológico para se manter firme num desejo que, lastimavelmente, é tão difícil de se realizar na atual conjuntura. É preciso coragem para dizer tchau para seu médico de anos na 37a semana e procurar um novo profissional; força (e paciência) para não ceder aos protestos da família e dos amigos que não entendem porque você não marca a cesárea como todo mundo; convicção para usar suas economias para bancar uma equipe realmente alinhada com seu plano de parir; fé para se permitir parir como manda a natureza. Minhas dicas: leia livros e relatos de parto positivos (fuja de programas de TV, de maneira geral) e faça terapia. Além da força psicológica e emocional, também é legal preparar o corpo para as posições e as sensações do parto (yoga para gestantes e massagem perineal são duas opções que vêm à mente). Mas não se iluda: a cabeça é muito mais importante que o corpo nesse processo de parir.

5. Seja sujeito

É muito cômodo (e perigoso) entrar no papel da “mãezinha” ou “gravidinha” (primas-irmãs da “princesinha”) e deixar que todas as decisões sejam tomadas por você: pelo médico, por sua mãe, pelo marido… Se você tem a intenção de parir, você precisa se recusar a ocupar esse lugar. Porque uma mulher que dá a luz é protagonista, e não um objeto ou um coadjuvante do processo. Ser sujeito significa, entre outras coisas, questionar, se examinar, refletir, sentir, escolher, rebolar (em ambos os sentidos), viajar para a partolândia e dar um belo de um FODA-SE pra todas aquelas pessoas que teimam em te julgar. Ser sujeito significa viver de acordo com a sua verdade e sentir na pele as suas escolhas, e não ser vítima das decisões de terceiros.

6. Contrate uma doula

Para quem não sabe o que é uma doula e qual a importância dela no parto, prometo um post longo e detalhado em breve. Por enquanto, vou ser econômica e dizer que a doula acompanha a gestante antes, durante e após o parto; sua função é servir de apoio e conforto. A doula não é profissional de saúde e nem faz parte da equipe médica: ela acompanha a mulher, oferecendo palavras de incentivo, um toque carinhoso e um porto seguro para a parturiente (e, muitas vezes, também para seu companheiro). Em suma, a doula é uma amiga que já viu muitas mulheres parindo. Por isso, é importante  conversar muito com ela antes do parto, sentir-se bem com ela e criar um laço de afeto e confiança. Você pode achar que doula é modismo ou frescura, mas a história e as evidências mostram o contrário: doulas existem há milênios e sua presença na sala de parto diminui o índice de cesárea, analgesia e depressão pós-parto e aumenta a satisfação materna e o índice de amamentação (entre outros benefícios). Se você é carioca, visite a página do Núcleo Carioca de Doulas no Facebook para se conectar com profissionais da área.

7. Não saia correndo para o hospital

Pensei se deveria mesmo incluir esta última dica – obviamente, não quero ser culpada depois por uma leitora que teve seu filho no táxi! -, mas como não tem como negar que um dos fatores de cesárea é a impaciência dos médicos (a famosa desculpa “não teve dilatação”) optei por colocá-la. A não ser que esteja com uma equipe de parto humanizado, a melhor maneira de se proteger da cesárea intraparto é chegar ao hospital em trabalho de parto ativo, com mais de 7 cm de dilatação e, de preferência, dilatação total. Eu sei que é difícil se imaginar fazendo isso – “correndo esse risco” – mas é mais comum chegar cedo demais e sofrer um parto cheio de intervenções desagradáveis ou até mesmo uma cesárea do que acabar parindo a caminho da maternidade (apesar desses casos saírem mais na mídia!). Se você não tem plena confiança na equipe médica e sente que o médico pode acabar fazendo uma cesárea de última hora, essa é a dica que eu deixo para você (de preferência, siga também a dica número 6).

"Por hoje é só. Boa sorte e boa hora para você! E depois passe aqui e conte sua experiência."

sexta-feira, 9 de março de 2012

Curiosidades do Parto

Por Ana Cristina Duarte

Curiosidades da partolândia: não existe dilatação de “5 dedos”. A dilatação se mede com 1 dedo, 2 dedos e a partir disso são centímetros, pois não dá para colocar 3 dedos, 4 dedos.. até dá, mas não é bonito. Então a dilatação vai em 1 dedo, 2 dedos, 3 cm, 4 cm… até 10 cm.



Curiosidades da Partolândia II: o que dilata é o colo do útero, aquela estrutura que fecha do útero e mantem o bebê lá dentro por 9 meses. É lá que a gente mede a dilatação. Depois disso, no canal do parto, vem só tecido elástico, que não precisa dilatar para o nascimento, mas sim “esticar”.

Curiosidades da Partolândia III: quando a bolsa se rompe, o bebê continua produzindo líquido amniótico através da urina, e sua cabecinha faz uma “rolha” que veda o colo do útero provisoriamente. Assim, ele sempre terá líquido amniótico ao seu redor! Não à toa que um bebê que nasce com bolsa rompida há muito tempo, frequentemente ainda vem numa torrente de água!


Curiosidades da Partolândia IV: não existe bebê que ficou mal porque “bebeu água do parto” ou porque “engoliu mecônio”. Bebês bebem água do parto durante metade da gestação, o tempo todo. E o mecônio é uma substância estéril e sem risco para o tubo digestivo. O perigo é a aspiração profunda de mecônio, porque obstrui os alvéolos. Já o líquido aspirado não chega a ser um problema importante.

Curiosidades da Partolândia V: todos os bebês nascem roxos, porque dentro do útero eles vivem o tempo todo com essa cor, sendo o útero um ambiente de baixa oxigenação. Só quando nasce e respira é que ele vai começar a ficar cor de rosa aos poucos. Portanto quando disserem “você passou da hora, tanto que nasceu roxo na cesárea”, desconfie do 171 obstétrico. Bebês nascem roxos, todos!



Curiosidades da Partolândia VI: Todos os bebês têm algum nível de icterícia fisiológica, aquele amarelo na pele e olhos. Eles nascem com excesso de hemáceas, que ao serem degradadas produzem a bilirrubina, substância amarela. Aos poucos o fígado metaboliza e a cor da pele vai voltando ao normal. São raríssimos os casos de icterícia patológica que requerem banho de luz. A imensa maioria dos bebês internados nas UTIs neonatais privadas estão lá ajudando a pagar o equipamento, só isso.


Curiosidades da Partolândia VII: O cordão umbilical não precisa ser cortado em nenhum momento específico. Se a família quiser, pode esperar a hora do banho da mãe, ou da pesagem do bebê. Se o bebê nasce na rua ou em casa, é para deixar o cordão ligado. O cordão não faz mal ao bebê! Não tenha pressa!


Curiosidades da Partolândia VIII: A gravidez humana dura EM MÉDIA 38 semanas a partir da concepção ou 40 semanas a partir da última menstruação. Quando falamos que a gestante está de 28 semanas, estamos contando da menstruação. Se fôssemos falar a partir da concepção, diríamos 26 semanas. A contagem em mês é artificial e aleatória. Com 28 semanas tem gente que chama de 7 meses, tem gente que chama de 6 meses, tem gente que chama de 6,5 meses. Contagem em meses não serve para nada.

Curiosidades da Partolândia IX: Apgar é uma nota que se dá ao bebê quando ele nasce. Não precisa fazer nada, só observar o bebê. A primeira nota se dá com 1 minuto de vida e não tem significado algum. A segunda nota se dá com 5 minutos de vida e diz mais ou menos as condições do recém nascido naquele momento. Qualquer nota acima de 7 no quinto minuto já é uma nota ótima. A nota do primeiro minuto não é levada em consideração em nenhum tipo de levantamento. É só para divertir a audiência.

Curiosidades da Partolândia X: A medida do comprimento do recém nascido não serve para nada, o bebê sempre está encolhido, então não dá para medir. Só serve para a diversão da galera, e não entra em nenhum levantamento de saúde. Nem entra na DNV, declaração de nascido vivo. É que nem medir o bíceps de um menino de 8 anos para saber se ele é forte. Se 3 pessoas medirem o recém nascido, teremos 3 medidas diferentes. A única medida que tem função é o peso.

Curiosidades da Partolândia XI: o cordão umbilical é preenchido de uma geléia elástica que faz com que ele seja praticamente “incomprimível”, mantendo assim os vasos sanguíneos bem protegidos. Por isso que em situações normais, circulares de cordão (seja quantas forem), não tem qualquer significado!




Curiosidades da Partolândia XII: na imensa maioria das situações, quem determina a entrada em trabalho de parto é o bebê. Quando seu pulmão (último órgão a amadurecer) fica pronto, começa a produzir surfactante, que cai no líquido amniótico e provoca uma reação em cadeia que faz a mulher entrar em trabalho de parto. Portanto quando a mulher não está em trabalho de parto significa que o bebê não está maduro, simples assim. Para entrar em trabalho de parto, não adianta escalda pé, acupuntura, comida apimentada e escrever cartas. O que adianta é pedir pro bebê produzir logo um pouco de surfactante

Ana Cristina Duarte é formada em obstetrícia em 2008 pela USP/EACH, faz atendimento de pré-natal e parto domiciliar.

Mais infos: http://www.maternidadeativa.com.br/anacris.html

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Lombalgia e hérnia de disco atingem 90% das grávidas


Problemas na coluna são comuns nessa fase, mas podem ser contornados

Durante os quatro primeiros meses de gravidez, as mudanças no corpo da gestante ainda são sutis.
Mas é a partir desse momento que a barriga passa a pesar, o tronco se inclina mais e a dor nas costas costuma aparecer e acompanhar 90% das futuras mamães.


O corpo da mulher se prepara para o desenvolvimento adequado da criança e produz um hormônio chamado relaxina, que provoca frouxidão nos ligamentos e músculos de todo o corpo, inclusive das costas.

Mais soltos sob o efeito dessa substância, as estruturas responsáveis pela sustentação da coluna tem de fazer um esforço redobrado para mante-la no lugar. O resultado: dores na região lombar. Outro fator prejudicial e inerente ao período é a mudança no centro de gravidade.

“Com o crescimento do bebê, a curvatura da coluna vai se acentuando e o centro de gravidade é alterado”, afirma Ricardo Nahas, ortopedista do Hospital Nove de Julho, de São Paulo.

A postura causa dor, que aparece primeiro como um incômodo no final do dia, uma sensação de peso na região. Com a evolução dos meses, a dor apresenta-se como pontadas até finalmente instalar-se e virar presença constante no período de descanso da gestante. 

O uso de saltos nessa fase também pode piorar o quadro. Sapatos altos costumam arquear a coluna, aumentando o arco com a gravidez.

Mulheres que trabalham muito tempo sentadas também têm mais tendência a apresentar dores nas costas. Ficar na mesma posição pressiona a região lombar, contribuindo para o aparecimento ou intensificando o problema.

A hora de dormir também exige cuidados. A mulher sente dificuldade para se acomodar na cama por conta da barriga e acaba torcendo a coluna. O ideal é colocar um travesseiro entre as pernas, os joelhos devem estar dobrados, e, se houver necessidade, uma pequena almofada próxima ao abdome.

Hérnia de disco

Embora seja incomum o aparecimento de hérnia de disco na gravidez, mulheres que já têm este problema devem se precaver antes mesmo do início da gestação. Entre os preparativos para uma possível gravidez devem estar inclusas sessões de fisioterapia e exercício físico diário.

“O recomendado é que haja o fortalecimento da musculatura das costas para manter o equilíbrio da coluna e não prejudicar ainda mais uma hérnia já existente”, recomenda João Luiz Pinheiro Franco, neurocirurgião revisor científico da Spine, importante publicação do setor de Coluna.

A preparação da coluna antes da gestação, aliás, é a recomendação dos especialistas para aquelas que não quiserem sofrer com as lombalgias. Segundo eles, é possível evitar as dores nas costas e passar a gravidez tranquilamente. Para isso, é necessário a inclusão do exercício na rotina diária.

“Pode ser pilates, reeducação postural, alongamento, mas é importante que seja voltado a esse período específico”, recomenda Franco. Nahas reforça. “Os exercícios podem tirar a dor. Mesmo no caso de uma mulher sedentária, as medidas posturais fazem com que os músculos se reeduquem.”

Confira seis dicas para evitar – ou aliviar – as dores nas costas:

- Se estiver com dor, bolsas quentes ajudam a aliviá-la

- Cuidado ao abaixar para pegar objetos no chão. Dobre os joelhos, agache e só então alcance o objeto. Nada de inclinar a coluna, o peso pode machucá-la

- Durma confortavelmente, de preferência coloque um travesseiro entre os joelhos dobrados

- Faça exercícios físicos e alongamentos, fortaleça a musculatura das costas

- Não fique muito tempo sentada em uma mesma posição, levante-se, faça alongamentos, movimente-se

- Cuidado com saltos altos, a curvatura da coluna se acentua podendo causar dor

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Diabetes Gestacional - Dúvidas frequentes

Cerca de 7% das grávidas brasileiras desenvolvem diabetes na gestação, de acordo com o Ministério da Saúde. O Dr. José Bento explica como surge a doença e fala sobre prevenção e tratamento. 



O período da gravidez é extremamente impactante na vida da mulher e a mudança pode ser ainda maior quando se descobre algo como a diabetes gestacional. No Brasil, o problema atinge aproximadamente 7% das gestantes, segundo dados do Ministério da Saúde. O ginecologista e obstetra dos hospitais São Luiz e Albert Einstein, Dr. José Bento, esclarece as principais dúvidas das mulheres em oito perguntas sobre essa doença. 

1. É comum mulheres grávidas apresentarem diabetes durante a gestação? 

Dr. José Bento: Casos de diabetes durante a gravidez não são comuns, mas é imprescindível que o médico e a gestante fiquem atentos com relação aos sintomas, que são silenciosos e fáceis de ser confundidos com os sintomas da própria gravidez. 

2. Quais são os sintomas da diabetes gestacional? 

Dr. José Bento: Os sintomas do diabetes gestacional se confundem com sinais característicos da gravidez, como aumento de apetite, fraqueza, vômitos frequentes, náuseas, infecções por fungos, visão turva e maior quantidade de urina, o que dificulta a percepção das mulheres e do próprio médico de que algo não está bem. Outro fator preocupante é a perda de peso mesmo quando a mulher se alimenta de forma errada e excessiva. Por isso, é preciso ficar atenta e fazer o exame de glicemia de jejum, que deve ser realizado no início da gravidez. Se o resultado desse exame for maior do que 86, é preciso acompanhar o aspecto glicêmico mais de perto durante a gestação. 

3. Como o diabetes se desenvolve no organismo da gestante? 

Dr. José Bento: Durante a gravidez, o organismo feminino se depara com uma condição especial: a placenta produz uma substância que interfere na ação da insulina, o hormônio responsável pela colocação da glicose dentro das células de nosso organismo. Em condições normais, o organismo da gestante passa a produzir mais insulina para dar conta do excesso de açúcar que vai acumulando no sangue. No caso das mulheres que apresentam diabetes gestacional, a quantidade de glicose no sangue é maior que o normal e atravessa a placenta.

4. Como prevenir o diabetes gestacional? 

Dr. José Bento: Para a prevenção do diabetes durante a gravidez, é importante que atividades físicas sejam incluídas na rotina da gestante, sempre sob a supervisão do médico. A prática de exercícios físicos é importante, pois colabora para a redução dos níveis de glicemia no sangue e melhora a ação da insulina. Além disso, a diminuição da ingestão de doces e carboidratos ajuda na prevenção da doença. 

5. Após o diagnóstico positivo da doença, quais os cuidados que a mãe deve tomar para manter a doença sob controle? 

Dr. José Bento: O primeiro passo para o controle da doença é aderir a uma dieta restritiva, ou seja, sem nenhum tipo de doce, açúcar e diminuição de carboidratos, sem esquecer de manter sempre uma vida ativa. O segundo passo, para auxiliar a mulher a controlar o diabetes gestacional com segurança e precisão, é essencial: a monitorização da glicose no sangue. Nesse contexto, fazer o monitoramento corretamente é fundamental para manter o equilíbrio dos níveis de açúcar no sangue e para garantir a saúde da mãe e do bebê. Em último caso, se a taxa de glicose não diminuir, é preciso fazer aplicações de insulina durante a gestação. 

6. Existem consequências para o bebê? Ele corre o risco de nascer diabético?

Dr. José Bento: No caso de gestantes que são diagnosticadas com diabetes, os bebês acabam apresentando um peso maior que o comum e MESMO ASSIM são mais fracos que os demais. Consequentemente, na hora do parto, a criança tem dificuldade de sair do útero da mãe, por ser maior do que normal. Além disso, normalmente eles têm problemas respiratórios, apresentam excesso de insulina e hipoglicemia. Por esses motivos, são mais propensos a serem diagnosticados com diabetes tipo 2 no futuro. 

7. Há algum fator que aumente o risco de a mulher desenvolver o diabetes gestacional?

Dr. José Bento: Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes gestacional são: obesidade, casos da doença em família, partos anteriores de bebês com mais de 4 quilos e histórico de abortos espontâneos ou morte fetal sem explicação. 

8. É possível a mulher deixar de ser portadora do diabetes após a gestação? 

Dr. José Bento: Normalmente, o diabetes gestacional desaparece logo depois do parto, mas até 40% das mulheres que passaram pelo problema desenvolverão diabetes tipo 2 num prazo de 10 anos. Caso fique grávida novamente, é muito provável que ela apresente o diagnóstico de diabetes novamente. 

Perfil-A divisão de Diabetes Care, da Bayer HealthCare, está presente em 100 países e tem longa tradição de mais de 65 anos em inovação na área de cuidados com o diabetes desde o lançamento dos tabletes reagentes CLINITEST, em 1941. 

Os rumos dos cuidados com o diabetes mudaram em 1969, quando o primeiro monitor de glicemia portátil e as tiras reagentes surgiram. A Bayer HealthCare inovou o gerenciamento do diabetes sendo a primeira empresa a lançar uma linha de monitores de glicemia com a tecnologia No CodingTM (Já Codificado). Os sistemas de monitoramento de glicemia BREEZE® 2 e CONTOUR TS® são uma excelente opção para os diabéticos. 

Fonte: Portal Fator Brasil

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Por que não fazer exame de toque

por Kalu

Um dos procedimentos de rotina dos pré-natais é o exame de toque, independentemente da idade gestacional. Mas este procedimento, como a maioria dos exames e intervenções, só pode trazer benefícios quando não é banalizado.

O exame de toque serve basicamente para avaliar a evolução da dilatação no rabalho de Parto, apresentação do utero e posicionamento do bebê.  O esperar de uma mulher com 24 semanas? Que o colo esteja grosso e fechado, o bebê na posição que desejar (não estará encaixado) e alto. E se a mulher não apresenta qualquer queixa, para que realizá-lo?

Se uma mulher apresentar contrações prematuras, vale avaliar se as mesmas indicam um trabalho de parto precoce. Aí sim, depois de investigar se não se trata de braxton, infecção urinária, pode-se fazer um exame de toque. Mas ele é mera especulação.

Acompanhei uma gestante que com 32 semanas fez o exame de toque e o médico verificou que ela tinha 2cm de dilatação e colo afinado. Ela tomou corticóide para amadurecer o pulmão do bebê no risco de parto prematuro. Com 35 semanas, se não me falha a memória, tinha 3 ou 4 cm. Mas sem contrações ou seja não estava em Trabalho de Parto. Pariu rapidamente e teve um parto natural com 39 semanas. Um parto a jato (já que tinha menos 4 cm para caminhar).

Então, o que o exame de toque adiantou? Nada.

Em trabalho de parto a questão do exame de toque é uma faca de dois gumes. Ele é feito para protocolar a mulher que deve dilatar x cm por hora. Quando estaciona em X cms considera-se parada de progressão e aí vem as medidas intervencionistas. Uma analgesia para ver se a mulher ( e o útero) relaxam e a progressão progride ou ocitocina para ajudar nas contrações. A medicina tradicional desconsidera os fatores emocionais.
Imagine que você está com uma sensação de grande dor e passou 5 horas com determinada dilatação. Medem novamente e você não saiu do lugar. Essa informação vai fazer com que a mulher desista pensando que, se em X horas ela não dilatou, precisará de mais X para parir. E na mente dela ela decreta: não vou agüentar.

Mas o que acontece é que a dilatação não é tão precisa. Existe a relação ocitocina X adrenalina. Se quiser aumentar a dilatação é preciso aumentar a ocitocina natural. E para aumentar a ocitocina é preciso de:
- Pouca Luz
- Silêncio
- Privacidade
- Não observação
- Ambiente quente e confortável
- Beijo na boca do marido
- Massagem
- Paz

Quando a mulher para de dilatar é aí que aumentam o monitoramento, a observação e a adrenalina da mulher (e da equipe) vai nas alturas inibindo a ocitocina.

Lá vem a ciência solucionar problemas para os quais ela mesma causou. Ocitocina sintética, dor, adrenalina, anestesia, mais ocitocina. Uma vez que a ocitocina sinstética entra na corrente sanguínea da mulher, toda a ocitocina que ela liberaria naturalmente, antes, durante e depois do parto é bloqueada.

E isso significa o que?

Que depois do parto, momento em que é necessária a liberação do hormônio para criar vínculo com o bebê, segundo o obstetra Michel Odent é o êxtase – coquetel de hormônios- que sentimos no pós parto que faz com que criemos vinculo de amor com a cria) ele não se faz presente.

A ocitocina é um hormônio natural presente e fundamental para a hora do parto. Em grande parte dos partos normais em todo o planeta, para acelerar a contração do útero e tornar o parto mais rápido, a ocitocina é usada de forma padronizada, é o caso do Brasil. O famoso “sorinho” torna as contrações extremamente fortes e doloridas, levando muitas vezes a alteração do batimento cardíaco do bebê, fazendo-se necessário o uso de anestesia e as cascatas de intervenções físicas e medicamentosas.

Segundo Odent, por ser um hormônio, a ocitocina passa pela barreira placentária e chega à corrente sanguínea do bebê, atingindo o cérebro da criança. Segundo o obstetra, o uso da ocitocina sintética pode gerar seres humanos mais agressivos por ser um hormônio diretamente ligado a socialização. Ele o chama de “hormônio do amor”, porque está presente na relação sexual, na amamentação e no parto e pós parto, facilitando a relação instintiva entre mãe e filho.

Outra conseqüência é a incapacidade ou dificuldade de produzir ocitocina em outros momentos da vida, uma vez que sua versão sintética bloqueia a produção de ocitocina natural. Atingindo o cérebro da criança, este ser humano pode ser incapaz de produzir este hormônio, tanto na hora do parto, como em outras situações de suas vidas. Sem a produção de ocitocina ficamos incapacitados de sentir prazer.

Voltando para a questão do toque, já vi o procedimento ser bem usado em algumas ocasiões. Em um Parto Domiciliar bastante demorado (mais de 30 horas) avaliou-se a possibilidade de romper a bolsa uma vez que a mulher estava com dilatação completa e o bebê não descia. Para saber se o bebe estava alto e a evolução do parto depois de tanto tempo, para que a família e parteiras avaliassem uma possível transferência, optou-se pelo rompimento artificial da bolsa e o bebe nasceu.

Outro caso, a mulher estava bem cansada e quis saber a quantas andava a evolução do parto. A enfermeira avaliou 8 cm e um rebordo de colo. Segurou o rebordo e o bebê nasceu uma hora depois.

Então, como tudo na vida, bem usada a intervenção pode apresentar benefício. A banalização é que causa problemas.

Vale o alerta de que muitos obstetras não humanizados costumam descolar as membranas para acelerar o início do trabalho de Parto por volta das 39 semanas. Algumas vezes não avisam que vão fazer e nem a finalidade. E só é possível fazer isso quando se faz toque (geralmente um toque dolorido).

No Trabalho de Parto, com médicos não humanizados, exame de toque pode levar o médico romper a bolsa sem a mulher querer. Não aceitar o exame de toque é se poupar disso também.

Perto do parto saber que o colo está amolecido e com x cm pode causar ansiedade.

Sem contar que, mesmo com luva, fazer toque aumenta o risco de infecção, principalmente se a mulher estiver com bolsa rota. Mas experimente estar com bolsa rota  para saber quantos exames de toque vai receber. Parece que muitos médicos só aprendem a fazer cesárea, toque e ultrasson para serem obstetras.
Vou deixar bem claro que não sou “contra” os procedimentos. Nem uso de ocitocina, nem anestesia. Já escrevi um texto sobre quando a anestesia ajuda no Trabalho de Parto.  Há pouco tempo acompanhei um parto em que o obstetra optou pela analgesia e forceps de alivio. Acredito que uma analgesia leve ou uma ocitocina leve poderiam ter ajudado essa mulher parir. 

Todo e qualquer procedimento quando banalizado representa risco. Por exemplo, locais em que não há assistência obstétrica ou aqueles com índices altos de cesáreas possuem índices de morte neonatal e infantil semelhantes. Ou seja, a falta de recursos ou excesso (mal utilizados), são prejudiciais.

 A princípio devemos acreditar que nosso corpo tem plena capacidade de parir, sem drogas e intervenções, mas se abrir para a possibilidade de valer-se de recursos quando acabarem as forças físicas e emocionais para prosseguir.

 Na minha opinião um parto com analgesia (pouca) e ocitocina (pouca) é melhor que uma cesárea. Uma cesárea melhor que um óbito.  O risco, em tudo, é a banalização.
 E você, o que pensa do exame de toque?

Fonte: Blog Mamíferas

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vídeo - Parto natural de gêmeos - segundo pélvico

Recebi esse vídeo da lista que faço parte PartoNosso, o vídeo é maravilhoso mostra certinho o bebê rodando, a mãe super calma e a irmã mais velha assistindo.

A pessoa que mandou - Arlene Ferreira - comentou que esse vídeo provavelmente foi feito na França, em meados da década 60.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

"Eu não tive dilatação"

Também adorei o texto que eu não conhecia e conheci pela Rê Olah, então faço das palavras dela as minhas!!:

Repassando um texto super bacana da querida Angela Rios, fisioterapeuta e louca por gestantes assim como eu!

Das muitas indicações para a cesariana desnecessária, a que escuto mais comumente é “Não tive dilatação”. Diversas vezes já ouvi de mulheres que tentaram ter o parto normal, muitas chegaram a ficar horas em trabalho de parto, com fortes dores que causaram uma exeriência traumática, pois resultaram em uma cirurgia cesariana por não terem tido dilatação. Essas mulheres, na segunda gravidez já optam por cesariana, pela experiência traumática de um trabalho de parto mal sucedido e usam para si mesmas o argumento de que “não posso ter parto normal, pois não tenho dilatação”.

Em regra, qualquer mulher que esteja em trabalho de parto fisiológico, com a cascata hormonal acontecendo naturalmente, terá dilatação e conseguirá parir. Exceções existem, porém, são casos específicos e com certeza não corresponde à realidade da maioria.

Então, porque essas mulheres não conseguem parir?

Em primeiro lugar, a assistência ao trabalho de parto é falha. Por contraditório que pareça, ir para o hospital aos primeiros sinais de trabalho de parto contribui negativamente para o seu desenvolvimento, aumentando as chances de evoluir para uma cesariana desnecessária, muitas vezes após horas de dor e sofrimento. Isso porque:

- No hospital, a mulher sente-se fragilizada, está fora de seu ambiente de domínio, e por não se sentir a vontade “briga” com seus próprios instintos e com isso inibe a cadeia hormonal (veja mais na entrevista com Michel Odent)

- No hospital, a parturiente fica submissa às intervenções e decisões da equipe, que muitas vezes dá orientações erradas (não grite, não ande, fique quieta), faz comentários inapropriados (Nossa, que coragem a sua ter parto normal!), e não explica a necessidade e objetivo das intervenções que são feitas, tornando a mulher um agente totalmente passivo.

- As intervenções hospitalares muitas vezes são desnecessárias, afligem e desconcentram a parturiente (como monitoramento contínuo da pressão e batimentos cardíacos fetais), causam desconforto (como a colocação de supositório anal para lavagem intestinal e acesso venoso de soro) e atrapalham a castaca hormonal fisiológica (como a infusão contínua de ocitocina, hormônio que provoca contrações uterinas dolorosas e ineficazes).

- O trabalho de parto pode demorar muitas horas a partir de seus primeiros sinais, que gera ansiedade na mulher e nos familiares, associado a um longo tempo de internação e intervenções como as citadas acima, acabam causando a impressão de que algo está errado, que está demorando demais, que está passando da hora...

- Para acelerar o trabalho de parto, não é raro ser administrado ocitocina em doses cada vez maiores, que provocam fortes dores de contrações uterinas contra um útero com o colo ainda fechado (ou seja, sem dilatação). A dor aumentam o medo, o medo aumenta a dor em um ciclo vicioso que acaba por interromper o andamento normal do trabalho de parto, por isso a mulher não tem dilatação.

É importante entender que os hormônios do nosso corpo são orquestrados de forma inteligente, com doses adequadas de acordo com cada fase. E que alguns hormônios não são desejados durante o trabalho de parto (como a adrenalina, desencadeada pela ansiedade e medo).

Assim, o trabalho de parto mal sucedido está muito mais ligado à incapacidade da equipe médica de conduzir o trabalho de parto do que à incompetencia do corpo da mulher de parir.

Se você realmente deseja um parto normal sem sofrimento, é fundamental que seu médico seja favorável ao parto normal e saiba conduzi-lo, quevocê tenha o acompanhamento de uma profissional preparada para assisti-la (uma doula) e que a equipe da maternidade trabalhe de forma a garantir a saúde sua e do bebê sem intervenções desnecessárias, dando apoio e conforto.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

10 fatos importantes sobre os recém-nascidos


Carinha de joelho

Sim, o seu bebê pode ter a cabeça em um formato estranho ou nascer coberto por uma substância branca. E você pode não notar nenhuma dessas coisas – afinal, estará apaixonada...

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO POR RAQUEL BEER, FILHA DE MARCIA E ANDRÉ
Ao pensar em um bebê, provavelmente você pensa em uma criança linda, cheirosa e fofa, que faz barulhos graciosos e dorme depois de mamar. Mas é importante dizer que os primeiros dias, e até os dois primeiros meses, não são um conto de fadas, e o bebê pode não ser tão bonito assim.
Confira 10 fatos que você precisa saber sobre os recém-nascidos:

1. O bebê pode ter uma aparência engraçada

A cabeça pode estar achatada depois da jornada pelo canal vaginal, e ele pode estar usando um “colã” atlético feito de um cabelo fino chamado "lanugo". Ele também pode ter uma cara enrugada e olhos que sempre ficam fechados. Afinal, o pequeno passou nove meses no útero. Mas não se preocupe: ele rapidamente ele se tornará o lindo bebê que você sempre imaginou.

2. Não espere recompensas – sorrisos ou barulhinhos graciosos – até o sexto mês

Até lá, você está trabalhando para um chefe que só reclama! Para aturar a exaustão e a revolta emocional, tenha isso em mente: os seus esforços não são em vão nesses primeiros dias. “Ele se sente confortado pela mãe ou o pai, sente um elo, ele gosta de ser segurado”, diz o pediatra Christopher Tolcher. 

3. Dê banhos de esponja no bebê até que o cordão umbilical caia

Se for mantido seco, ele cai rápido – normalmente dentro de duas semanas. Além disso, recém-nascidos não se sujam tanto. Se o cordão molhar, seque. Se a região sangrar um pouco quando o cordão cair, não há problema. Foi o que aprendeu a americana Alyson Bracken. “De cara, eu fiquei assustada”, ela disse, mas então percebeu que, assim como a crosta, o sangramento era normal.

4. O ponto fraco não é tão fraco assim

“Eu morria de medo do ponto fraco”, admite a nova-iorquina April Hardwick, referindo-se à abertura no crânio, também chamada de fontanela, que permite ao bebê passar pela vagina. “Gemma tinha uma cabeça cheia de cabelos no nascimento, e eu inicialmente tinha medo de penteá-los sobre o ponto sensível”, disse Hardwick. Mas não havia motivo para temer: “Você pode tocar o ponto sensível e as proximidades”, diz a pediatra Tanya Remer Altmann, autora do livro Mommy Calls (Deveres de Mãe). O ponto pode pulsar porque está diretamente sobre os vasos sanguíneos que cobrem o cérebro.

5. Ela deixará você saber quando estiver saciada

O bebê precisa comer em cada duas ou três horas – mas se você estiver amamentando, é difícil saber a quantidade de leite que ele toma. “O peso do bebê é um indicador nos primeiros dias”, diz Dr. Tolcher. O seu pediatra vai medi-lo depois de alguns dias. Um recém-nascido perde de 5 a 8% do peso do parto na primeira semana, e ganha-os de volta na segunda. A contagem das fraldas também pode ser um indicador: nos primeiros cinco dias será aleatória, mas depois disso, você trocará de cinco a seis fraldas por dia, e pelo menos uma ou duas com cocô.

6. Pele seca é normal 

Inicialmente, ele pode ser macio e hidratado, mas isso muda. “Se você ficasse mergulhado em um líquido por nove meses e então viesse para o ar, você seria seco também”, diz a pediatra Laura Jana, co-autora do livro Heading Home With Your Newborn (Indo para casa com o seu recém-nascido). Você não precisa fazer nada em relação à pele seca (ela sozinha descasca e sai), mas se você quiser, procure uma loção de bebê hipoalergênica que não tenha fragrância.  Pequenos inchaços rosas, erupções na região da fralda e até a acne podem aparecer também. “Acne tende a durar por alguns meses”, diz Sra. Jana. “Então tire uma foto do seu pequeno antes que ele complete o primeiro mês!”.

7. Você não precisa correr para a casa


“Tenha uma vida normal, mas use o bom senso quando você sair em público”, diz Dr. Tolcher. Mantenha o bebê fora do sol, evite pessoas doentes (nada de festas infantis!) e espaços lotados (como o shopping em feriados). “Ensine os irmãos mais velhos a tocar nos pés do bebê em vez de no rosto e nas mãos, o que ajudará a prevenir infecções”, completa. E faça de seu filho mais velho o policial da higiene, diz Dra. Jana. Ele vai adorar dizer aos convidados “Não toque no bebê sem lavar suas mãos”.

8. Bebês choram muito – é como eles se comunicam!

Os gritos cortantes te informarão quando ele estiver com fome, frio, uma fralda suja, ou quiser ser segurado. Essas “conversas” precoces podem ser frustrantes, mas tenha certeza de que você entenderá o que o bebê quer mais tarde. A americana Laurie May e seu marido rapidamente aprenderam o sinal de fome da filha. Quando eles tinham acabado de se tornar pais, programaram um alarme para tocar a cada duas horas, devido à amamentação. “Nós não precisávamos do alarme!”, ela diz. “A gente adora rir disso agora!”.

9. Novos bebês também dormem bastante – mas não por períodos longos

Os primeiros três meses são os piores. O bebê precisa comer a cada duas ou três horas, de forma que você também não dormirá bastante. “A situação melhora”, assegura Dr. Altmann. "A maioria das crianças consegue dormir de seis a oito horas só aos três meses”. Enquanto isso, tente fazer com que o bebê se adeque a horários diurnos e noturnos: durante o dia, não deixe ele cochilar por mais de três horas sem acordá-lo para amamentar; de noite, deixe que ele durma até quando quiser já que ele está ganhando o peso de volta que perdeu no parto. 

10. A fase de recém-nascido passa rápido 

Estressada, cansada e sozinha? Sim, esses dias são difíceis. Mas logo eles estarão no passado. A americana Barbara Evans diz "Eu queria que eu soubesse como passa rápido”. A mãe de Luella, de oito meses, diz “Eu deveria ter tirado mais fotos e feito um diário!”. Rabeea Baloch compartilha as experiências de uma mãe veterana: “Com o meu primeiro, eu estressava por tudo, desde trocar fraldas a desconfiar do choro. Com a segunda, eu aproveitei a fase de segurá-la, sentir seu cheiro, beijá-la e saboreei cada momento do nosso tempo juntas”.

Fonte: Parents

domingo, 30 de janeiro de 2011

Malhação na Gestação?!?

Vi esse vídeo num site com a seguinte frase:

Você gosta de malhar? Frequenta academias? Esta grávida e agora esta na dúvida se pode continuar a pegar pesado e usar pesos?
Pois então para vocês trago abaixo um vídeo mostrando uma grávida fazendo tudo isto e muito mais:



Como se todas as gestantes pudessem realmente fazer esses exercícios, eu acredito que essa gestante do vídeo é uma atleta e estava querendo mostrar algo com o vídeo, pois tem vários exercícios que ela faz que é contra-indicado para gestante por correr o risco de ter um deslocamento de placenta entre outros, resolvi então fazer relatar algumas orientações sobre os exercícios leves, moderados e exercícios vigorosos.

Acredito que toda gestante deve sim fazer alguma atividade física na gravidez, porém sempre falo com minhas gestantes: nada de querer se tornar atleta durante a gravidez. 

“O exercício físico deve ser leve ou moderado, de baixo impacto, com uma hora de atividade, três vezes por semana em média”

Os exercícios mais indicados para as gestantes que não são atletas são:

·        - Atividades dentro da água, que causem menor impacto e tirem o peso da força da gravidade, como natação e hidroginástica. (Sempre lembrando que a água não deve ser muito quente e que a limpeza da piscina deve estar em dia, o ideal é procurar um lugar que dê aulas específicas para gestante)
·         - Ioga para gestante;
·        -  Pilates para gestante;
·         - Grupo de exercício para gestante;
·        -  Fisioterapia para gestante;
·         - Caminhada bem orientada (evitar subidas e descidas muito íngremes).

Quis enfatizar o PARA GESTANTE, pois muitas vezes encontro gestantes realizando esportes ideais para elas (ioga, pilates, grupo de exercício), porém exercícios que não poderiam ser indicados na gestação.

Então sempre procurem algum professor especialista na área de Obstetrícia (fisioterapeuta, educador físico), para que ele oriente o melhor exercício para a fase que se encontra.

Exercícios que devem ser evitados, se não for atleta:
·       - Corrida,
·       -  Aulas de jump,
·       - Step e outras atividades de alto impacto.

 “Esses exercícios podem comprometer a gravidez e trazer malefício pelo impacto dentro do abdômen, causando, inclusive, descolamento de placenta nos primeiros meses de gravidez”

Além desse risco, exercícios vigorosos podem provocar também torções e lesões nas articulações. 

“Na gravidez, há um amolecimento das articulações. Isso se deve a um hormônio chamado de relaxina. Também há mais líquido também nas articulações, que ficam mais instáveis, facilitando torções no pé e no joelho”

Com o exercício moderado, aumenta o fluxo de sangue para o feto.

Fica mais fácil também para a mãe enfrentar as diversas mudanças que acontecem no seu corpo durante os meses de espera. 

Modificações básicas durante a gestação:
·         Aumento uterino em até 1000 vezes (seu peso pode chegar a 6kg);
·         Com o crescimento uterino, há relaxamento dos ligamentos intercostais e a ascensão do
    diafragma, levando à expansão da caixa torácica;
·         Hiper-relaxamento ligamentar;
·         Instabilidade das articulações dos joelhos e dos tornozelos;
·         Maior mobilidade da coluna e do quadril;
·         Projeção do corpo à frente, com a distensão dos músculos abdominais devido ao aumento do volume uterino;
·         Diminuição do comprimento do passo;
·         Para manter o equilíbrio, a gestante aumenta a base de sustentação através do afastando dos pés. Esta posição acentua a lordose lombar, a qual é compensada pelo aumento na cifose torácica  acompanhada da rotação dos ombros e projeção da cabeça à frente. 

A atividade física traz os seguintes benefícios:
·         - Aumenta o consumo energético da mãe (controlando peso);
·         - Melhora sua auto-estima; o humor;
·       -   Melhora do equilíbrio corporal;
·       -   Reduz certos desconfortos da gravidez e necessidade de medicamentos (dor lombar, inchaços);
·         - Melhora da respiração (exercícios leves a moderados podem melhorar o condicionamento cardiorrespiratório da mãe, visto que nesta fase há uma maior pressão do diafragma pelo útero, causando uma sensação de dispnéia, não sendo indicado para exercícios intensos);
·        -  Permiti a ela um retorno mais rápido ao seu estado normal após o parto (em torno de 50% a mais do que as que não exercitam)
·       -   Exercícios bem orientados durante a gravidez têm vantagens no parto, ou seja, o tempo de expulsão é mais curto (cerca de 1/3 mais rápido - quanto mais condicionada a mãe maior capacidade da expulsão ela terá) e as dores do parto menores;
·         - O exercício fortalece e torna o útero mais elástico. 

Além disso, mulheres que se exercitam na gravidez mostram-se mais equilibradas emocionalmente durante o momento do parto.

Riscos de um exercício mal orientado:

·         - Hipóxia fetal (insuficiência do oxigênio - Tal redução está diretamente relacionada à intensidade e duração do exercício);
·       -   Hipertermia fetal (aumento da temperatura),
·        - Parto prematuro,
·      -  Menor peso fetal,
·       -   Diabetes gestacional,
·      -    Risco de aborto espontâneo.

Esses são alguns dos riscos que podem acontecer durante a gravidez. 

É imprescindível o acompanhamento de um médico especialista para avaliar possíveis riscos e de um profissional de educação física/fisioterapeuta para a elaboração de um programa adequado.