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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Entenda o sexo pós-parto do físico ao emocional

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Voltar a ter relação sexual depois do nascimento de um filho se compara a perder a virgindade. Sim, não estou exagerando. São tantos medos, dúvidas, inseguranças que a mulher acaba deixando o sexo em segundo plano, ou pela falta de vontade, nem toca no assunto.

Saiba que essa “sensação” de estranheza é muito comum e tem explicação. A psicóloga Mirian Kedma, conta que devido às alterações hormonais é completamente comum a falta de interesse por sexo no pós parto parto, atrelado a isso, tem cansaço físico e emocional, além disso, as  mudanças no corpo podem afetar a auto estima da mulher.

Outro fato é a influência da amamentação na libido, essa que é transferida para os seios, que por sua vez se desenvolve uma atividade sexual permanente: “A prolactina, responsável pela produção de leite, inibe os hormônios ligados à sexualidade, como o estrogênio, cuja diminuição provoca falta de lubrificação vaginal, fazendo com que a penetração seja dolorosa.” aponta, Mirian.

Para a ginecologista e obstetra Priscila Huguet, não existe regra para voltar a ter relações, ela esclarece que é uma questão de segurança da mulher, desde que respeitando o tempo de cicatrização (em caso de cirurgias cesarianas, episiotomias ou mesmo lacerações naturais) que ocorre em no máximo 15 dias. No entanto, ela afirma que não se pode calcular o tempo exato para o chamado “resguardo”, porque cada organismo responde de uma maneira: “Não é possível falar em números, assim como dizer que tem que esperar 40 dias é balela. Então, se a mulher se sente bem, não lacerou, não tem dor e não sangra mais, pode retomar as relações.”.

Priscila informa, que as chances de engravidar nesse período são pequenas, desde que a mulher amamente exclusivo e em livre demanda. Se ainda assim optar métodos contraceptivos, eles podem ser: o DIU de cobre ou hormonal, pílula de progesterona, diafragma e a camisinha. Caso a mulher se sinta muita insegura com a penetração vaginal, está liberada para praticar sexo oral (desde que parado o sangramento), anal e masturbação, mais que isso é a chance de (re)descobrir outras formas de carinho e prazer.

2287699-9366-recSobre os fatores emocionais, a fusão emocional mãe-bebê, a participação do pai e muito mais, você confere abaixo, uma entrevista com a psicóloga Mirian Kedma.

A perda de interesse pelo sexo no pós-parto

Após o nascimento do bebê é normal que o desejo sexual da mulher diminua, mesmo depois que o obstetra da o “ok” para voltar a ter relações sexuais, a maioria das mulheres não sente vontade nenhuma. A falta de desejo é um fato e pode durar meses.
Há vários fatores que motivam isto:

 A mulher tem que se dedicar ao cuidado de um recém-nascido e isso requer dela tempo integral. O cansaço não é só físico, mas é também emocional. O corpo da mulher está se recuperando da gravidez e do parto. Há mudanças hormonais que podem desequilibrar a mulher em vários aspectos e um deles é a diminuição da libido. Por outro lado, há mudanças corporais.

Algumas mulheres ficam com quilinhos de mais, barriguinha, estrias e isso pode afetar a autoestima. Pode também existir um medo inconsciente (ou consciente) de engravidar novamente, então a aversão ao sexo é uma maneira de espaçar as gravidezes.

A fusão mãe-bebê e a falta de desejo sexual

Um recém nascido exige atenção e cuidados constantes. O contato físico é permanente demandado belo bebê, ele quer sempre estar no colo ou mamando no peito. Laura Gutman fala que a mãe se funde com as sensações do bebê e que eles (mãe e bebê) continuam fundidos no mundo emocional por um longo período de tempo. Este estado fusional da mãe com o bebê é o que garante que ela possa se desdobrar para cuidar da cria e também é necessário para a construção do “eu” do bebê. À medida que o bebê for crescendo e se percebendo como diferente do outro, a separação emocional ocorre, mas isso só começa a acontecer por volta dos 2 ou 2,5 anos de idade. Então, é um período em que a mãe se verá envolvida em uma árdua tarefa que demanda não só esforço e dedicação física, mas emocional também.

A amamentação influência e a diminuição da libido

Durante a amamentação, simplesmente a libido é transferida para os seios. Ali se desenvolve uma atividade sexual permanente. A influência hormonal é visível. A prolactina, responsável pela produção de leite, inibe os hormônios ligados à sexualidade, como o estrogênio, cuja diminuição provoca falta de lubrificação vaginal, fazendo com que a penetração seja dolorosa.
Além disso, como foi mencionado anteriormente, o bebê demanda muito tempo e amamentar é uma das empreitadas que mais tempo demanda, principalmente nos primeiros dias após o nascimento, em que mãe e bebê estão se adaptando, e ainda mais se no começo da amamentação há algum contratempo ou entrave.

Como recuperar o desejo

Bem, a maioria das mulheres percebe que a diminuição da libido e a consequente falta de desejo sexual são temporárias.

Uma maneira de ajudar as mulheres no pós-parto em si e não só na questão do desejo sexual, mas em outros aspectos como amamentação, cuidados do bebê, como lidar com relacionamentos familiares, com as mudanças de humor neste período e outras dificuldades é frequentar um grupo de apoio a mães no pós-parto. Sabe-se que este tipo de grupos acaba sendo terapêutico para as mulheres, no sentido de ajudar a prevenir a depressão pós-parto e outras ansiedades deste período. Outro ponto essencial é a compreensão e afeto do parceiro. 

Quando o homem entende que essa fase é normal e colabora e apoia a sua mulher, dividindo as tarefas e ajudando no cuidado do recém-nascido, ela não fica sobrecarregada. Muitos maridos se irritam com a “frieza” da mulher e até sentem ciúme da dedicação dela ao bebê. Quando o homem compreende que a presença do bebê passará a participar do relacionamento do casal, em todos os sentidos, porque a mulher está fusionada emocionalmente com este bebê, ele poderá se aproximar dela de outra maneira e entender as transformações que ela está vivenciando desde o nascimento do bebê.

É o esgotamento físico que acaba com o desejo?

Não é só o esgotamento físico. O cansaço, a falta de tempo que faz com que a mulher fique às vezes de pijama o dia todo, o corpo mudado, os fatores hormonais e emocionais antes citados, tudo contribui para que o desejo demore em reaparecer. E quando surge um tempinho livre? O corpo só pede uma coisa: dormir!

Mudanças corporais no pós-parto influenciam?

Sim, depois do nascimento do bebê não estamos em nosso melhor estado físico. A mulher precisa de um tempo para se recuperar. A autoimagem também é afetada, as formas não são as mesmas de antes da gravidez, também não são as de uma mulher grávida. Geralmente a roupa de gestante fica enorme e a anterior à gravidez não serve! Tudo isso pode baixar a autoestima da mulher e favorecer a diminuição do desejo sexual.

Carinho e atenção são imprescindíveis no relacionamento sexual pós-parto

Laura Gutman é uma psicoterapeuta de quem gosto muito, ela explica que se deve “feminilizar a sexualidade no pós –parto”, ou seja, quando o casal se conecta com a parte feminina da sexualidade que não precisa de penetração nem de orgasmos, o relacionamento sexual se torna mais pleno, mais completo e mais sensível. Abraçar, beijar e descobrir outras formas de demonstrar afeto pode ser suficiente para acender a chama. A compreensão e o acompanhamento da realidade física e emocional da mulher são necessários para que o romance não morra.

Muitos casais esquecem do namoro, pensam apenas na penetração e perdem a criatividade. Trazer flores, fazer mimos, um jantar especial, reconquistar a mulher como na época do namoro faz parte desta “feminilização” da sexualidade que é necessária neste momento de transformação feminina.

O homem pode perder o desejo no pós-parto de sua mulher?

Sim, pode acontecer devido ao cansaço e ao envolvimento com a rotina do bebê, mas pais que se envolvem nos cuidados dos filhos compreendem mais as mudanças pelas quais as mulheres passam e geralmente andam junto com suas mulheres pelo caminho da redescoberta e da renovação da sexualidade após a chegada dos filhos.

* Mirian Kedma é formada em psicologia pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina. – Psicoterapeuta com pós graduação em Psicodiagnóstico e psicoterapia com Orientação Psicanalítica pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina
** Priscila Huguet é  formada pela UNICAMP em 1998. Fez residência médica em ginecologia e obstetrícia com especialização em mastologia e oncologia ginecológica no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM), também pela UNICAMP.  Especialista em ginecologia e obstetrícia pela FEBRASGO (2001), mastologista pela Sociedade Brasileira de Mastologia (2006), tem certificado de atuação em sexologia pela FEBRASGO (2010)e ALSO (Advanced Life Support in Obstetrics), pela AAFP-American Academy of Family Physicians (2011).
Pós-graduada em sexologia pelo ISEXP (2007), é também mestre em Tocoginecologia pela UNICAMP (2005), tendo seu artigo “Qualidade de Vida e Sexualidade de Mulheres Tratadas de Câncer de Mama” publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO) e na The Breast Journal como “ Sexuality and Quality of Life in Breast Cancer Survivors in Brazil”.
Atua desde  2009 como médica voluntária na ONG Expedicionários da Saúde, atendendo a indígenas em regiões isoladas da Amazônia.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Fotos de Gestantes Ativas Fazendo Exercícios no ES

Olá Pessoal...

Vou postar umas fotinhas durante uma aula minha...

Essa aula foi realizada na Clínica Gerar em Jardim da Penha - Vitória - ES, um dos lugares que dou aula em Vitória. 

A Clínica Gerar é de uma amiga minha também fisioterapeuta especialista em Saúde da Mulher, Priscila Valentim, que trabalha em Vitória a bastante tempo.

Hoje em dia a Priscila também é uma das minhas alunas, ela está grávida de 19 semanas da segunda filha: Raquel.

A primeira foto é do exercício que chamamos de Gato, é ótima para quem está com dor lombar.
Gatinho para mobilização da coluna lombar e fortalecimento do períneo
Vale lembrar que a fisioterapia para gestantes não é só realizada quando se está com dor, mas também para manter a gestação saudável, fortalecer o corpo globalmente e prevenir dores.

Os exercícios são benéficos tanto para as mamães que querem o parto normal quanto as que querem cesárea.

E para quem quer parto normal, fazemos diversas posições que poderão ser utilizadas no trabalho de parto e parto, além de uma aula específica para o parto normal, onde o marido acompanha e aprende o que poderá fazer para ajudar a mamãe e também participar ativamente do parto.

Posição que geralmente as gestantes adoram, pois promove relaxamento 

Gestantes Ativas... cada uma com uma idade gestacional


Eu e as Gestantes na Clínica Gerar

Eu e a Cris... olha que barriguinha mais linda, é a Sara
Além dos exercícios, também fazemos Drenagem Linfática Manual para as gestantes que estão com edema (inchaço) e no pós parto fazemos reeducação perineal (fortalecimento do períneo através da eletroestimulação).


Venha fazer uma aula experimental...

Mais informações: (27) 3032-6974 / (27) 9938-8501

domingo, 10 de abril de 2011

Pesquisador internacional conta pesquisa de como proteger o períneo no pré e pós parto

Tomara que aqui siga o exemplo de outros países que indicam a fisioterapia uroginecológica pré e pós parto para prevenção de Incontinência Urinária e fecal, lembrando que é indicação para qualquer tipo de gestante independente da via de parto.

O fisioterapeuta especializado em uroginecologia e pesquisador do Departamento de Epidemiologia e  Urologia da Universidade de Maastricht da Holanda, Bary Berghmans, esteve nesta sexta-feira (8) no anfiteatro 1 da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp participando do evento Atualidades em Urofisioterapia. 

Berghmans foi convidado pela disciplina de urologia do Departamento de Cirurgia da FCM para falar sobre o projeto Mother Fit e participar de debates sobre avaliação e disfunção do assoalho pélvico, bexiga hiperativa, incontinência fecal e outros temas relacionados com linhas de pesquisa desenvolvidas na Unicamp. 



O projeto Mother Fit tem como objetivo evitar que as mulheres possam desenvolver alguma disfunção pós-parto no assoalho pélvico - musculatura na região da bacia, que envolve a bexiga, intestino e útero –, entre elas a incontinência urinária e a fecal. Berghmans iniciou a pesquisa em 2006 na Universidade de Maastricht após o acesso aos dados dos gastos governamentais com tratamentos das disfunções do assoalho pélvico. Atualmente, pretende disseminar o projeto em outros países. 

“Percebemos que o gasto era equivalente aos tratamentos do câncer e da AIDS. Então, buscamos desenvolver uma pesquisa para identificar o problema e encontrar soluções viáveis”, explicou Berghmans.



Segundo o professor e urologista da Unicamp Carlos D´Ancona, desde 2001 existe uma relação muito forte entre a disciplina de urologia da FCM e a Universidade de Maastricht. Há parcerias em pesquisas na área de eletromodulação e eletroestimulação do assoalho pélvico para o tratamento de disfunções urinárias. “Estamos fazendo o convite para Bary ser professor-convidado da Unicamp e fazer parte do quadro de docentes da FCM”, revelou D’Ancona.

Na programação da disciplina de urologia ainda existe para o segundo semestre outros eventos para discutir a incontinência urinária na criança, no homem e na mulher em diferentes situações. Bary Bergmans é director do Pelvic Care Center Maastricht da University Hospital Maastricht (Holanda), professor convidado da Hogeschool Zuyd, da Holanda e da Universidade Católica do Paraná. É professor e prelector em diversos cursos e congressos em todo o mundo.

Autor de diversos artigos e livros científicos, dentre eles “Urofisioterapia – Aplicações clínicas das técnicas fisioterapêuticas nas disfunções miccionais e do assoalho pélvico”, editado pelo professor Paulo Palma, da FCM da Unicamp. 


É presidente do Cochrane Collaboration Urinary Incontinence Review Group for the review of electrical stimulation for urinary incontinence e membro de diversos comitês da International Continence Society, International Consultation of Incontinence, Royal Dutch Association of Physiotherapists e Royal Dutch Association of Physiotherapy.

É responsável pela elaboração de guidelines internacionais sobre  incontinência urinária e fecal e revisor científico de diversas revistas científicas relacionadas com a Uroginecologia, Epidemiologia e Fisioterapia, tais como: Journal of Urology, The European Journal of Urology, Urology, Journal of Clinical Epidemiology, Clinical Rheumatology, Neuro-urology & Urodinamics, International Urogynecological Journal e The Cochrane Collaboration Library.

Texto e imagem: Edimilson Montalti
ARP - FCM
Unicamp

segunda-feira, 7 de março de 2011

Pais precisam de mais cuidados no pré e pós-parto do que mães

Segundo uma enfermeira obstetrícia da Universidade de Gothenburg, na Suécia, não se levam em consideração os sentimentos dos homens, que acabam mais frustrados que as mães 

 

Redação Época

Uma pesquisadora da Universidade de Gothenburg, na Suécia, afirma que, embora sejam as mulheres que passem pelos momentos mais difíceis durante a gravidez e o parto, são os pais que precisam de mais acompanhamento e suporte antes e logo após seus filhos nascerem. Para o estudo, foram realizadas uma série de entrevistas com pais em que eram feitas perguntas básicas sobre seus medos, preocupações e angústias - questionamentos feitos, geralmente, apenas às mães.

Alguns dos participantes da pesquisa admitiram que desempenhar o papel secundário em todo esse processo, principalmente no pós-parto, quando a mãe tende a ficar mais com o bebê, era complicado. “Alguns pais disseram que (durante todo o processo) só faziam perguntas às enfermeiras de forma que estas direcionassem suas respostas às mães (e não a eles)”, afirmou Asa Premberg, enfermeira obstetrícia e autora do estudo, publicado no próprio site da universidade.

“É importante que homens também tenham a oportunidade de conversar sobre seus medos e trazer às enfermeiras perguntas que os façam sentir-se parte do processo”, disse.

O estudo também apontou que o papel do homem durante a gestação acaba sendo o de dar suporte aos medos e angústias de sua parceira enquanto ele mesmo tem que lidar com seus próprios medos. Além disso, durante os primeiro anos de vida do bebê, o homem batalha muito mais que a mulher para construir seu relacionamento com o filho.

“Há uma necessidade de se dar suporte focado esecificamente nos homens tanto antes quanto após o parto. Isso pode trazer benefícios não só para o homem quando para toda a família”, afrima Premberg.
LH

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A primeira mamada na cesariana e parto normal



A Organização Mundial da Saúde preconiza que a primeira mamada ocorra logo na primeira hora de vida do bebê. Portanto, quanto antes ocorrer, maior será os benefícios da amamentação e menor o risco do desmame precoce.

Um estudo realizado pela Universidade Federal Fluminense, Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e Secretaria da Saúde de Queimados (RJ) demonstrou em números o que já se via na prática em maternidades: mulheres que realizam cesariana (parto preferido por muitas mulheres) demoram mais tempo para amamentar seus filhos pela primeira vez.

No parto normal, a demora da primeira mamada é em média 4 horas. Já os bebês nascidos de cesariana demoram cerca de 10 horas para se alimentarem pela primeira vez no peito da mamãe.

A fonoaudióloga Jamile Elias explica por que a amamentação no parto normal é mais rápida.

“É mito dizer que as mamães que fazem cesariana ficam mais cansadas e demoram para se recuperar e poder amamentar. O motivo está na diferença da ação hormonal do organismo das mulheres que realizam parto normal e cesariana”, conta a profissional.

No parto normal, a placenta já está pronta e já está tudo pronto para o bebê nascer. Assim que nasce, todos os hormônios estão em perfeita harmonia e há a descida do leite, facilitando a primeira mamada.

O mesmo não ocorre na cesariana; a placenta pode não estar totalmente madura, desorganizando os hormônios, fazendo com que a descida do leite demore mais, prejudicando a primeira mamada do bebê.

No estudo realizado no RJ apontou ainda que das mamães que realizaram o parto normal, 22,4% amamentaram na primeira hora contra 5,8% das mamães que realizaram cesárea.

Faça pré-natal - Um pré-natal bem feito é condição favorável para que médico e mamãe saibam das condições da gestação e assim optem pelo melhor parto, seja normal ou cesariana.

É fundamental amamentar - Todas as mamães e futuras mamães sabem da importância incontestável da amamentação para seu filho e para a saúde da mãe.

Além de suprir todas as necessidades nutricionais do bebê e o imunizar com anticorpos passados pelo leite materno, o ato de amamentar ajuda a mamãe a recuperar o corpo mais rapidamente, prevenindo alguns tipos de câncer e o vínculo mãe-bebê se torna mais forte.

Dicas
Tire todas as suas dúvidas sobre os tipos de partos com o seu médico, assim não terá receio de escolher pelo mais natural.

Nem sempre o bebê ou a mamãe tem condições de realizar parto normal, por isso o pré-natal é tão importante.

Às vezes, mesmo quando se opta pelo parto normal, na hora do parto as condições mudam e uma cesárea de emergência pode ser realizada.

Fonte: Guia do Bebê

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Mariana conta detalhes sobre a experiência do parto domiciliar

Joana: o nascimento


Dia 3 de fevereiro foi um dia especial. O dia do nascimento de Joana, filha de Mariana e Paschoal, neta de Ana Maria.
O nascimento de Joana foi motivo de matérias nos mais diversos veículos de comunicação e gerou muita curiosidade, afinal, Mariana decidiu ter o parto em casa.
Mas como é um parto domiciliar e no que ele difere dos outros? Quem estava lá no momento do nascimento de Joana?
Com exclusividade, Mariana contou tudo isso para o site Ana Maria Braga, inclusive sobre a escolha do nome, os cuidados que envolvem o recém-nascido e a preparação para um momento tão importante como o parto.

Site Ana Maria Braga - Como você escolheu o nome ‘Joana'?
 
Mariana - Joana é um nome que sempre gostei muito, que sempre chamou a minha atenção, mas não tinha um nome que eu falava que daria para minha filha quando tivesse. Durante a gravidez tinha vários nomes em vista, mas coincidentemente comecei a ganhar várias coisas de Joaninha... Minha mãe me deu uma joaninha muito legal e minha avó me deu um timer de geladeira de joaninha, e pousavam várias joaninhas em mim durante a gravidez. Perguntamos um dia pro Davi, meu enteado, como ia chamar a irmãzinha dele e ele, sem saber de nada disso, disse que ia se chamar Joana, que ele tinha contado para um amiguinho da sala dele que a irmã dele se chamaria Joana.
Acho que cada criança tem o nome dela e temos que ter a intuição de perceber qual é este nome. E ela é Joana total. E eu olho pra ela e acho ela com cara de Joana...

Site Ana Maria Braga - Desde o início da gestação sabia que queria um parto domiciliar? Como se preparou para ele?

Mariana - Na realidade não foi desde o início da gestação, porque não tinha idéia dos tipos de parto. Sabia que queria um parto normal, mas não sabia como conseguir isso e não sabia o que era um parto natural, de fato. Através de minha amiga e doula Marcelly descobri o parto natural e comecei a entender e participar dos encontros de gestantes, listas de discussão.

Eu tinha um ginecologista desde adolescente que ia a consultas periódicas, e mesmo ele sendo meu médico resolvi conhecer um outro médico ativista do parto natural e minha identificação foi imediata. Foi assim que o rumo das coisas mudou e continuei as consultas de pré-natal com ele. Mesmo com o pré-natal com este outro médico, decidi que teria duas parteiras. Lia relatos de parto e sentia que queria aquilo pra mim: um parto domiciliar. Por conta da gestação, acabei adquirindo hábitos mais saudáveis. Sempre fui atlética, mas não tinha uma regularidade de exercícios definida. Foi quando comecei a me dedicar a ioga, com a própria doula, que já me preparava para o parto, com exercícios para o períneo, controle da respiração, e uma consciência corporal maior.

Site Ana Maria Braga - A afinidade entre você, as parteiras e a doula foi essencial para que tudo corresse bem?

Mariana - Foi, tanto que foi imediata a afinidade. Assim que fiz minha primeira consulta com as parteiras, sabia que o parto seria realizado com a ajuda delas.

Site Ana Maria Braga - Quais as vantagens que você apontaria no parto domiciliar?

Mariana - A principal delas é paz, eu acho... Poder passar por este ritual na sua morada, na sua cama, estar totalmente segura em relação ao ambiente, cercada das pessoas escolhidas por você. Eu acho que o ambiente hospitalar dificulta o trabalho de parto. O ambiente faz toda a diferença para o trabalho de parto evoluir e em hospitais a probabilidade de se acabar em uma cesárea desnecessária é altíssima, porque os profissionais não tem a vivência do parto normal, e não respeitam o tempo da mulher, querem acelerar o processo com uma série de intervenções desnecessárias que podem também culminar com uma cesárea. Além disso, pesquisei que a analgesia e os outros medicamentos que são administrados num hospital acabam indo para a corrente sanguínea do bebê, interferindo em suas primeiras horas de vida.

Site Ana Maria Braga - Na hora do nascimento, quem estava presente com você, em casa?

Mariana - Desde sempre, meu marido, meu enteado Davi e o irmão dele, Kaique, a minha doula, Marcelly, e as parteiras Márcia Koiffman e Priscila Colacciopo.

Site Ana Maria Braga - Como é o trabalho das parteiras e da doula?

Mariana - Tanto da doula como das parteiras recebi muita massagem na lombar, indicações de posturas para quando viessem as contrações, além de um acompanhamento emocional e psicológico que era quase de mãe. Além disso, recebi, no final do trabalho de parto, acupuntura e moxabustão para aliviar e transcender as dores.

Site Ana Maria Braga - Como foi a emoção do primeiro contato com a Joana?

Mariana - Nossa, quando nasce é uma explosão de felicidade. Você percebe quanta vida a gente gera dentro da gente. Foi inexplicável e ainda é... É muito indescritível ser mãe.

Site Ana Maria Braga - Para "matar" a curiosidade de todos, como você descreveria a sua filha?

Mariana - Ela é uma anja, né? Às vezes eu olho no olho dela e eu percebo que é uma alma antiga que já sabe das coisas, me dá uma impressão que eu tenho tanto a aprender com ela, é muito mágico. Parece que nasce sabendo das coisas todas e aí que vai esquecendo quando cresce...

Site Ana Maria Braga - Como tem sido os cuidados com a Joana?

Mariana - Eu me descobri uma ótima mãe, sabe, porque tenho achado muito natural tudo. A amamentação é uma coisa fortíssima, que nos mostra o que é cuidar. É o melhor cuidado que a gente pode fazer e esse. Dar o peito pro nosso filho, alimentá-lo, sem restrição, usando a intuição, é uma coisa simples. E o parto natural ajudou muito nesse processo. Imediatamente após o parto eu já estava apta a dedicar todos os cuidados para a minha bebê. Carregar a neném, levantar, sentar... Acho que essa é uma vantagem que outros tipos de parto acabam não dando para a mulher.

Site Ana Maria Braga - Nos cuidados com ela, algo lhe surpreendeu ou foi diferente do que você imaginava que seria?

Mariana - Outra coisa que optei foi usar fraldas de pano. Eu tenho as achado surpreendentes. Ela traz outra dimensão do cuidado, da suavidade, do carinho que é cuidar da fralda do neném, e além da questão ecológica que não precisa nem falar. Em média uma criança de dois anos consumiu até ali 5.500 fraldas. Acho que as pessoas deveriam ter essa consciência dos danos que isso vai fazer para o planeta. Pretendo amamentá-la muito. É muito bom saber que até os seis meses de idade seu filho só precisa do seu peito e mais nada. Isso deve ser visto como uma dádiva, uma benção. A sensação de amamentar é indescritível.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O exercício pode interferir na amamentação?


 É importante salientar que o corpo da mulher após o parto leva um tempo para se readaptar às mudanças tanto no gasto energético quanto na rotina de alimentação, sono, etc. Os exercícios neste período devem ser muito bem monitorados com acompanhamento de um profissional capacitado. Exercícios como o Yoga e Pilates geralmente não oferecem riscos, porém, corridas e atividades mais intensas podem ser prejudiciais. A alimentação e MUITA ingestão de líquidos também é fundamental para que a amamentação seja prolongada.

Correr “seca” o leite?

Profa. Ms Gizele A. Monteiro

Essa é uma pergunta que não é rara de acontecer. Também é uma observação feita por alguns profissionais que trabalham com mulheres no período Pós-parto.

O retorno ao exercício no Pós-parto sempre deve ser gradativo, mas não só por uma preocupação com a amamentação. Durante o período gestacional muitas alterações corporais ocorreram e o retorno ao exercício deve sempre ser orientado por um profissional que entenda essas mudanças do organismo feminino, diferenciando assim o programa e o atendimento. Diante desse quadro, voltemos a nossa questão. Um profissional que entende o que acontece com a mulher saberá dosar o exercício numa intensidade adequada para que essa questão não seja respondida de forma positiva.

Não só correr pode prejudicar a amamentação e o corpo da mulher, MAS QUALQUER EXERCÍCIO ORIENTADO DE FORMA INCORRETA.

A produção de leite consome muita energia. Uma mãe em fase de amamentação produz entre 800 e 1200 ml de leite por dia e, para cada litro de leite que a mãe produz, há um gasto de 900 calorias em média.

Portanto se o “exercício for intenso ou num volume elevado” e a mulher tiver uma ingestão inadequada poderá prejudicar a amamentação, pelo alto gasto energético que ocorre nesse período. Além do exercício e da ingestão alimentar inadequada, uma hidratação inadequada também poderá comprometer a amamentação.
As pesquisas relacionadas a amamentação e exercício observam um aumento de ácido lático no leite materno. Esse aumento relaciona-se com a intensidade do exercício, isto é, quanto mais intenso mais ácido lático haverá no leite. A grande discussão era que esse ácido lático poderia modificar o sabor do leite e dessa forma o bebê passaria a não aceitá-lo, sendo então que de forma indireta o exercício estaria interferindo na aceitação do bebê ao leite após o exercício pela mudança no sabor deste.

Alguns autores observaram essa resposta, havendo uma diferença na aceitação do leite em mães que realizaram “exercício intenso“, sendo o mesmo associado ao aumento da concentração de ácido lático. Os estudos com intensidades adequadas “não mostraram efeitos negativos” sobre a amamentação.

Cary & Quinn (2001) em revisão literária concluíram que “exercício e amamentação” eram atividades compatíveis, sendo que dos vários estudos analisados os mesmos não demonstram efeito prejudicial do exercício leve-moderado durante a lactação não afetando a composição, o volume do leite, o crescimento, o desenvolvimento infantil, ou a saúde materna. O exercício também teria um efeito muito importante na melhora da aptidão cardiovascular nas lactantes e na sensação de bem-estar quando comparara lactantes ativas com mulheres sedentárias.

Então concluindo: ao treinarmos, o organismo produz ácido lático e este ácido poderia modificar o sabor do leite, o que pode fazer com que o bebê rejeite o “peito”. Se o bebê não mama, o organismo não tem estímulo para produzir mais leite. Não havendo mais produção, o leite realmente pode “secar”, ou melhor, deixar de ser produzido.

O correto é que o profissional saiba organizar a sessão de treino para que as intensidades não sejam ultrapassadas, não só pelo aspecto da amamentação, mas também pelo exercício intenso ou em grande volume poder comprometer o sistema músculo-esquelético nesse período.

Dica importante - As mamas no período de amamentação estarão bem maiores e pesadas. Principalmente se a atleta for realizar atividades de impacto, como corrida, certifique-se de que eles estejam bem firmes (talvez seja necessário usar dois tops ou um suporte mais adequado).


Referências Bibliográficas:

Wallace, JP, Rabin, J. Int J Sp Med. 12 (3) :328-31, 1991. The concentration of lactic acid in breast milk following maximal exercise. Int J Sports Med. 12(3):328-31, 1991.
Wallace, JP, Inbar, G, Ernsthausen, K. Infant acceptance of postexercise breast milk.Pediatrics. 89(6 Pt 2): 1245-7, 1992.
Gale B. Carey, Timothy J. Quinn, Susan E. Goodwin. Breast milk composition after exercise of different intensities. J Hum Lact. 13(2): 115-20, 1997.
Quinn, TJ, Carey, GB. Does exercise intensity or diet influence lactic accumulation in breast milk?Med Sci Sports Exerc. 31(1):105-10, 1999.
Cary GB, Quinn TJ. Exercise and lactation: are they compatible. ? Can J Appl Physiol. 26(1):55-75, 2001.
Wright KS, Quinn TJ, Carey GB. Infant acceptance of breast milk after maternal exercise.Pediatrics. 109(4):585-9, 2002.
Su, D, Zhao, Y, Binns, C, Scott, J, Oddy, W. Breast-feeding mothers can exercise: results of a cohort study. Public Health Nutrition. 10(10):1089-1093, 2007.