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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Circular de Cordão Umbilical

Post do blog estudamelania escrito pela Dra.
 

Circular de cordão. Foto: Ricardo Jones

Qual o principal problema associado com a presença de uma ou mais circulares de cordão?Estamos aqui nos referindo às circulares cervicais, aquelas "voltas" que o cordão pode dar em torno do pescoço fetal, porque até onde eu saiba ninguém está preocupado com outros tipos de circulares, que podem se formar em torno do tórax, do abdome, dos membros fetais. O que permeia o imaginário popular, alimentado, infelizmente, pelo terrorismo que alguns obstetras fazem em torno desse achado, é a fantasia de que circulares em torno do pescoço possam levar ao "enforcamento" do bebê, uma entidade nosológica que definitivamente não existe, nunca foi documentada. Bebês nascem "laçados" há milênios. Aqui no Nordeste, não sei se existe em outras regiões do Brasil, até há uma tradição de se dar o nome de José ou Maria José àqueles bebês que nascem com circular cervical de cordão (1). Para evitar que a criança futuramente morra queimada ou afogada, segundo dizem. 



Então, senhores, essa história de circular de cordão é antiga. Só que no passado, somente se descobria que o bebê estava "laçado" ao nascimento. Nas últimas décadas, com o advento e a popularização da ultrassonografia pré-natal é que surgiu a possibilidade de se detectar circular de cordão no momento do exame e, infelizmente, isso tem levado a muitas indicações desnecessárias de cesariana em nosso país. Digo em nosso país porque não tenho conhecimento de que circular de cordão represente "indicação" de cesariana fora do Brasil. Corrijam-me, se estiver enganada.


No entanto, a presença de uma ou mais circulares de cordão ao nascimento representa um achado fisiológico em 20 a 40% dos bebês (2-5). Bebês saudáveis se movimentam dentro do útero e giram para um lado e para o outro, podendo formar e desfazer circulares a qualquer momento. Desta forma, é baixa a acurácia da ultrassonografia, mesmo associada à dopplervelocimetria colorida, para predizer circulares de cordão ao nascimento, uma vez que com a constante movimentação fetal, tanto um bebê com diagnóstico de circular pode nascer sem circular como o contrário, um bebê em que a ultrassonografia não detectou circular pode nascer com uma ou mais circulares de cordão (4). 


Sugere-se que a presença de circulares seja um evento randômico com maior frequência na gestação tardia, como parte da vida intrauterina, que raramente se associa com aumento de morbidade e mortalidade perinatal (2,4). Na literatura, a taxa de detecção de circulares cervicais pela ultrassonografia varia de acordo com os diferentes estudos, demonstrando-se uma sensibilidade de ultrassonografia com Doppler colorido entre 38 e 79%. Um elevado percentual de falsos positivos e negativos é descrito quando a circular é detectada antes do trabalho de parto. Aproximadamente 25 a 50% das circulares cervicais formadas durante a gravidez irão se resolver antes do parto, e até 60% dos fetos têm uma circular cervical presente em alguma ocasião durante a gravidez (2,4).

Nenhum ensaio clínico randomizado foi realizado com a finalidade de avaliar via de parto na presença de circular cervical, porque não se considera patológico um achado tão frequente, e não há rationale ou justificativa científica para se investir tempo e dinheiro em um estudo desse tipo. Fora as implicações éticas, já imaginaram ter que operar, realizar a cirurgia de extração fetal, o "talho cesáreo" - como veem, eu também leio o Rezende - em mulheres saudáveis tão somente por conta de um diagnóstico essencialmente pouco acurado de circular de cordão?


Além disso, os estudos observacionais demonstram que a presença de circular de cordão não se associa com piora do prognóstico perinatal (2-6). Em um estudo com 11.748 mulheres, a taxa de circulares ao nascimento foi de 33,7% a termo e 35,1% pós-termo. Desacelerações da frequência cardíaca fetal (FCF) intraparto foram mais frequentes na presença de circular de cordão, e eliminação de mecônio foi aumentada apenas nos casos de gestações pós-termo com múltiplas circulares. Alterações de gasimetria foram mais frequentes em bebês com circular de cordão, porém não houve aumento do risco de escores de Apgar menores que sete nem de admissões em UTI neonatal.  Os autores concluem afirmando que a presença de circular de cordão não influencia o manejo clínico nem o prognóstico perinatal, e que não é necessário pesquisar circular de cordão pela ultrassonografia no momento da admissão por trabalho de parto (4).


Em tempo: alterações da FCF ocorrem não porque o bebê esteja se "enforcando" mas porque podem existir circulares apertadas - e isso teoricamente em qualquer circular, não apenas nas circulares cervicais - e daí, durante a contração uterina, reduz-se o fluxo sanguíneo para o bebê e resultam as chamadas desacelerações "umbilicais" ou "variáveis". Aliás, essas desacelerações variáveis podem ocorrer com ou sem circular, por compressão do cordão, por exemplo, como em casos de oligo-hidrâmnio, ou cordão curto (7).


Eventualmente, na presença de múltiplas circulares ou uma circular apertada com cordão curto, pode haver maior risco de desaceleração da frequência cardíaca fetal (FCF), eliminação de mecônio e escores de Apgar mais baixos (4). Entretanto, outros estudos não descrevem associação entre múltiplas circulares e prognóstico neonatal adverso (6, 8). Na eventualidade de circulares apertadas, uma ausculta fetal cuidadosa, como deve ser feita em todos os casos durante o trabalho de parto, pode detectar precocemente alterações da FCF, sobretudo desacelerações umbilicais (4). O prévio conhecimento de que existe uma circular, no entanto, pode levar à indicação de cesárea nesses casos, podendo sobrelevar as taxas de cesárea sem necessariamente melhorar o prognóstico perinatal. Ultrassonografia antes da indução ou no início do trabalho de parto não é recomendação de rotina com essa finalidade (4).

Desta forma, não se deve modificar a conduta obstétrica em função de um diagnóstico eventual de circular de cordão, e não é necessário pesquisar circular de cordão no exame ultrassonográfico nem anteparto nem no momento da admissão em trabalho de parto (4, 9). A monitorização da FCF deve ser realizada em todas as parturientes, independente do prévio conhecimento de que existe uma circular (10). Assim, em caso de uma ou mais circulares apertadas levando a desacelerações da FCF, uma ausculta fetal cuidadosa pode detectar precocemente essas alterações e a conduta obstétrica nesses casos seguirá as recomendações preconizadas para uma frequência cardíaca fetal não tranquilizadora (10).

Como lidar com uma ou mais circulares de cordão é um assunto que tem sido abordado em diversos artigos. Infelizmente, alguns obstetras têm o hábito de ligar precocemente o cordão e proceder ao desprendimento imediato quando se deparam com uma circular de cervical apertada (11). No entanto, além de desnecessária, porque o cordão não irá enforcar o bebê, a ligadura precoce do cordão pode trazer efeitos adversos, privando o bebê do suprimento sanguíneo e das trocas gasosas que se processam através do cordão (12). Uma circular frouxa não precisa ser desfeita, podendo o nascimento processar-se normalmente. 

Para circulares apertadas, recomenda-se a manobra de "somersault" com ligadura tardia do cordão (13). 

Manobra de "somersault"



E não, não é preciso checar se existe circular logo depois do desprendimento do polo cefálico (14). Voltaremos a falar sobre esse assunto posteriormente, afinal eu quero que vocês continuem lendo este blog.

Referências

1. Souto Maior, M. Nomes próprios pouco comuns. Contribuição ao estudo da antroponímia brasileira. Fundação Joaquim Nabuco, 1973. 

2. Clapp JF 3rd, Stepanchak W, Hashimoto K, Ehrenberg H, Lopez B. The natural history of antenatal nuchal cords. Am J Obstet Gynecol. 2003;189: 488-93.

3. Wang Y, Le Ray C, Audibert F, Wagner MS. Management of nuchal cord with multiple loops. Obstet Gynecol. 2008; 112 : 460-1.

4. Schäffer L, Burkhardt T, Zimmermann R, Kurmanavicius J. Nuchal cords in term and postterm deliveries--do we need to know? Obstet Gynecol. 2005; 106: 23-8.
5. Shrestha NS, Singh N. Nuchal cords and perinatal outcome. Kathmandu Univ Med J (KUMJ) 2007; 5:360-3.

6. Mastrobattista JM, Hollier LM, Yeomans ER, Ramin SM, Day MC, Sosa A, Gilstrap LC 3rd. Effects of nuchal cord on birthweight and immediate neonatal outcomes.  Am J Perinatol 2005; 22:83-5.
 7. Westgate JA, Wibbens B, Bennet L, Wassink G, Parer JT, Gunn AJ. The intrapartum deceleration in center stage: a physiologic approach to the interpretation of fetal heart rate changes in labor. Am J Obstet Gynecol. 2007; 197: 235.e1-11.


8. Williams M, O’Brien W. Multiple or tight nuchal cord loops are not associated with significant perinatal morbidity. Am J Obstet Gynecol. 2002;187:S93.

9. Peregrine E, O'Brien P, Jauniaux E. Ultrasound detection of nuchal cord prior to labor induction and the risk of Cesarean section. Ultrasound Obstet Gynecol. 2005; 25:160-4.

10. Liston R, Sawchuck D, Young D. Society of Obstetrics and Gynaecologists of Canada, British Columbia Perinatal Health Program. Fetal health surveillance: antepartum and intrapartum consensus guideline. J Obstet Gynaecol Can 2007; 29: S3–56.


11. Sadan O, Fleischfarb Z, Everon S, Golan A, Lurie S. Cord around the neck: should it be severed at delivery? A randomized controlled study. Am J Perinatol. 2007; 24: 61-4.

12. McDonald Susan J, Middleton Philippa. Effect of timing of umbilical cord clamping of term infants on maternal and neonatal outcomes. Cochrane Database of Systematic Reviews. In: The Cochrane Library, Issue 07, 2012. Art. No. CD004074. DOI: 10.1002/14651858.CD004074.pub2

13. Mercer JS, Skovgaard RL, Peareara-Eaves J, Bowman TA. Nuchal cord management and nurse-midwifery practice. J Midwifery Womens Health 2005; 50: 373-9.

14. Reed R. Nuchal cords: think before you check. Pract Midwife. 2007; 10:18-20.


____________

Para escrever este post eu me baseei não apenas em textos que escrevi para a lista Parto Nosso como para as comunidades do Orkut, mas também no artigo que publiquei na revista FEMINA junto com Alex Sandro Rolland de Souza e Ana Maria Feitosa Porto, intitulado "Condições frequentemente associadas com cesariana, sem respaldo científico". Por sinal, recebemos muitos e-mails raivosos quando publicamos esse artigo, os cesaristas que leem a revista queriam nos matar (risos).

http://www.febrasgo.org.br/arquivos/femina/Femina2010/outubro/Femina_v38n10_505-516.pdf
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terça-feira, 1 de maio de 2012

Programa Sala de Convidados: Política de atenção ao parto e nascimento

Estou postando 6 vídeos de um programa falando do parto normal é longo, mas vale a pena assistir!

Beijos Thais Ramos

Programa Sala de Convidados no canal Saúde da Fundação Oswaldo Cruz com o tema: Política de atenção ao parto e nascimento

Reuniu o médico obstetra da fundação municipal de saúde de Niterói, Rodrigo Vianna; a enfermeira obstétrica e professora assistente da UERJ, Maysa Ludovice Gomes; a coordenadora da área de saúde da mulher do ministério da saúde, Lena Vania Cardoso Peres e o pediatra e coordenador do curso de especialização em atenção integral à saúde materno-infantil da Maternidade Escola da UFRJ, Marcos Renato de Carvalho.

O programa foi dividido em 6 partes.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012




Das PPzetes...
 
Se você pensa que cesárea é parto,
cesárea num é parto não!

cesárea tem fama de chique,

mas parto é que dá tesão!

Pode me faltar tudo na vida

hospital, agulha, punção

pode me faltar a droga

que isso não faz falta não..

Pode me faltar doutor,

isso eu acho até bobeira..

Só não quero é que me falte,

a danada (da doula) e da parteira!


Por Ana Cris e Roselene

=====


Ô abre a sala que quero cortar

Ô abre a sala que quero cortar

Sou cesarista, não posso negar

No feriado não vou trabalhar.


Por Paty Brandão

=====


Yes, nós temos cesárea,

Cesárea pra te amolecer

Cesárea, menina, não contamina

Cesárea engana e faz doer.


Por Paty Brandão

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Olha o obstetra da mulher

Será que ele é?

Será que ele é?

Será que ele é cesarista?

Será que ele é zé mané?

Será que ele vai marcar o parto

Pra hora que ele quiser?

Corta a barriga dele!

Corta a barriga dele!

Corta a barriga dele! 

Corta a barriga dele!


Por Ana Kacurin

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Ei, do bisturi

Não vem pra cá me abrir

Não vem pra cá me abrir

Pra cesárea, eu não vou não

Eu vou ter um parto normalzão 

Eu vou gemer, gemer até grunir

Dilatar, expulsar, dequitar ô

Eu quero é parir.


Por Chenia da Anunciação

====


Quanto miso, quanta ocitocina

Quase todo mundo na inducao

Tem raspagem, kristeler, jejum e episiotomia

Pra toda uma multidao


Por Thayssa Rocha

====


Nós, os obstetras,

Nos hospitais, somos maiorais

Mas, na hora do aperto

É das parteiras que elas gostam mais


Não precisa ter vergonha

Pode tirar seu chapéu

Pra que ter medo? Pra que seu doutor?

Eu quero é parto com amor!


Por Thayssa Rocha

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Vem cá seu guarda

Prende logo esse moço

Que me enganou 

Só pra rechear o seu bolso


Foi ele, foi ele sim

Foi ele que passou a faca em mim


Por Thayssa Rocha

====


Ô parideira pq estás tão triste

Mas o que foi que te aconteceu?

Dr facão já marcou cesárea

Tem pouco líquido, placenta envelheceu

Dr facão já marcou cesárea

Tem pouco líquido, placenta envelheceu


Vem parideira vem meu amor

No nosso grupo esse parto é todo seu

Você é muito mais poderosa

Que pro obstetra pareceu


Por Thayssa Rocha
 
====
 
Explode contração, 
Na maior tranqüilidade,
E assim vai dilatando,
Vem agachando e respirando,
Que ele nasce...

Lá vou eu, Lá vou eu,
Hoje a festa é lá em casa,
Pra partolandia eu vou,
Feliz eu to que to, 
Parindo, meu amor...

Duda Lapolli 

===
"Se voce fosse sincero ô ô ô obstetra 
pariria como eu quero..ô ô ô obstetra
 
Um lindo consultório, cardiotoco e ultrasom
Cesárea agendada, todas falam: Ele é bom!
Mas dele to correndo, porque não me respeita...
O ô ô obstetra"
 
Deny Bueno

sábado, 17 de setembro de 2011

Parto em casa é seguro

Li com atenção a interessante matéria do Guia do Bebê sobre Parto em Casa. Efetivamente, a recente notícia de que o parto da modelo Gisele Bundchen foi assistido nos Estados Unidos em sua própria residência, dentro da banheira, teve grande repercussão na mídia e despertou grande interesse em diversas mulheres, além de debate por diversas categorias profissionais.

Entretanto, mesmo bem preparada, a matéria peca por apresentar apenas o ponto de vista de uma única obstetra, sem considerar a visão de diversos outros profissionais que podem participar da assistência ao parto e, sobretudo, sem analisar a opinião das mulheres.

Como obstetra, pesquisadora e integrante do Movimento de Humanização do Parto no Brasil, não poderia deixar de contrapor a este ponto de vista, digamos, “oficial”, por refletir a opinião de grande parte dos médicos-obstetras em nosso País, considerações baseadas não em “achismos” ou receios, mas em evidências científicas.
O parto em casa, conquanto seja uma modalidade ainda pouco freqüente no Brasil, representa uma realidade dentro do modelo obstétrico de diversos outros países, como a Holanda, onde 40% dos partos são assistidos em domicílio, dentro do Sistema de Saúde. Mas vários outros países europeus e até os EUA contam com estatísticas confiáveis pertinentes aos partos atendidos em casa, e é impossível falar em RISCOS ou SEGURANÇA sem considerar os resultados dos diversos estudos já publicados sobre o tema.

Em 2005, chamou a atenção a publicação de um interessante estudo analisando os desfechos de partos domiciliares assistidos por parteiras na América do Norte: "Outcomes of planned home births with certified professional midwives: large prospective study in North America"[http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/330/7505/1416?ehom]. O estudo incluiu 5418 mulheres. A taxa de transferência para hospital foi de 12%, com uma taxa de cesariana de 8, 3% em primíparas e 1,6% em multíparas.

A frequência de intervenções foi muito baixa, correspondendo a 4,7% de analgesia peridural, 2,1% de episiotomias, 1% de fórceps, 0,6% de vácuo-extrações e uma taxa global de 3,7% de cesarianas. A taxa de mortalidade perinatal (intraparto e neonatal) foi de 1,7 por 1.000, semelhante à observada em partos de baixo risco atendidos em ambiente hospitalar. Não houve mortes maternas. O grau de satisfação foi elevado (97% das mães avaliadas se declararam muito satisfeitas). A conclusão deste estudo foi que os partos domiciliares assistidos por parteiras têm os mesmos resultados perinatais que os partos hosp italares de baixo risco, com uma frequência bem mais baixa de intervenções médicas. Entretanto, alguns críticos comentaram que o número de casos envolvidos seria insuficiente para determinar a segurança do parto domiciliar em termos de mortalidade materna e perinatal.

Seguiram-se vários outros estudos, publicados em diversas regiões do mundo, comparando a morbidade e a mortalidade tanto materna como perinatal entre partos domiciliares e hospitalares. A conclusão geral é que o parto domiciliar NÃO envolve mais riscos para mães e seus bebês, e cursa com vantagens diversas, relacionadas sobretudo à expressiva redução de intervenções e procedimentos. Partos assistidos em casa têm menor risco de episiotomia, de analgesia de parto, de uso de fórceps ou vácuo-extrator, de indicação de cesárea e a taxa de transferência hospitalar fica em torno de 12%. Destaca-se ainda o conforto e a satisfação das usuárias, que vivenciam uma experiência única e transformadora em seu próprio lar.

O estudo mais recente publicado no British Journal of Obstetrics and Gynecology (2009) analisou a morbimortalidade perinatal em uma impressionante coorte de 529.688 partos domiciliares ou hospitalares planejados em gestantes de baixo-risco: Perinatal mortality and morbidity in a nationwide cohort of 529,688 low-risk planned home and hospital births. [http://www3.interscience.wiley.com/journal/122323202/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0]. Nesse estudo, mais de 300.000 mulheres planejaram dar à luz em casa enquanto pouco mais de 160.000 tinham a intenção de dar à luz em hospital. Não houve diferenças significativas entre partos domiciliares e hospitalares planejados em relação ao risco de morte intrapa rto (0,69% VS. 1,37%), morte neonatal precoce (0,78% vs. 1,27% e admissão em unidade de cuidados intensivos (0,86% VS. 1,16%). O estudo conclui que um parto domiciliar planejado não aumenta os riscos de mortalidade perinatal e morbidade perinatal grave entre mulheres de baixo-risco, dese que o sistema de saúde facilite esta opção através da disponibilidade de parteiras treinadas e um bom sistema de referência e transporte.
Parteiras treinadas ou midwives, em diversos países, são aquelas profissionais que cursam em nível superior o curso de Obstetrícia e são treinadas para atender partos de baixo-risco e, ao mesmo tempo, desenvolvem habilidades específicas para identificar os casos de alto-risco, providenciar suporte básico de vida em emergências, tratar potenciais complicações e referenciar ao hospital, quando necessário. Essas profissionais, como a que atendeu Gisele Bundchen, estão aptas para prestar o atendimento à mãe durante todo o parto, bem como para assistir o bebê imediatamente após o nascimento e nas primeiras 24 horas de vida. Embora não haja necessidade de equipamentos sofisticados ou de UTI à porta da casa da parturiente, o material básico de reanimação neonatal é providenciado pelas parteiras certificadas. Parteiras também podem atender em hospital, de forma independente ou associadas co m médicos.

Uma revisão sistemática recente encontra-se disponível na Biblioteca Cochrane com o título de “Midwife-led versus other models of care for childbearing women” [http://www.cochrane.org/reviews/en/ab004667.html]. Esta revisão demonstra que um modelo de cuidado com parteiras associa-se com vários benefícios para mães e bebês, sem efeitos adversos identificáveis. Os principais benefícios são redução de analgesia de parto, menor número de episiotomias e partos instrumentais, maior chance de a mulher ser atendida durante o parto por uma parteira já conhecida, maior sensação de manter o controle durante o trabalho de parto, maior chance de ter um parto vaginal espontâneo e de iniciar o aleitamento materno. A revisão conclui que se deveria oferecer à maioria das mulheres (gestantes de baixo-risco) a opção de ter gravidez e parto assistidos por parteiras.

Em resumo, as evidências científicas disponíveis corroboram a segurança e os efeitos benéficos do parto domiciliar. Apenas criticar e apontar possíveis complicações, sem comprovar as críticas com evidências bem documentadas, publicadas em revistas de forte impacto, não pode ser mais aceito em um momento da história em que os cuidados de saúde devem se respaldar não apenas na opinião do profissional mas, ao contrário, devem se embasar em evidências científicas sólidas. Este é o preceito básico do que se convencionou chamar de “Saúde Baseada em Evidências”, correspondendo à integração da experiência clínica individual com as melhores evidências correntemente disponíveis e com as características e expectativas dos pacientes”. Embora iniciado na Medicina (“Medicina Baseada em Evidências”) esse novo paradigma estende-se a todas as áreas e sub-áreas da Saúde.
Esta página foi publicada em: 03/03/2010

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Por que a cesárea PARECE mais segura?

Texto retirado do Blog da Renata Olah e foi escrito pela Thais Stella.
 
Apesar de todas as evidências apontarem para maior segurança de um parto normal, no imaginário popular, a cesariana é que é mais segura e não tem riscos. Ou os riscos são insignificantes em vista da segurança de, supostamente, "ter tudo sob controle".

Freqüentemente, nos deparamos com frases do tipo: "Não queira arriscar a vida do seu bebê pela vaidade de um parto normal a qualquer custo..."

Gostaria de questionar um pouco os motivos que levam ao sentimento de falsa segurança da cesárea. Começo elencando algumas situações, e o que as pessoas pensam e dizem diante delas:

Situação 1 - O bebê que infelizmente morreu no parto.
a) Se foi normal: Tá vendo? E essas "radicais" ainda ficam defendendo o parto normal. E essa mãe, que ficou insistindo no parto normal? Assassina! Negligência Médica! Se tivesse feito cesárea, a criança estaria viva!
b) Se foi cesárea: Que pena. Os médicos fizeram tudo o que podiam, mas infelizmente a criança morreu...
Fatalidade.

Situação 2 - O bebê que nasceu muito, muito mal, mas se recuperou:
a) Se foi normal: Tá vendo? Ficou insistindo num parto normal, olha aí no que deu! A criança quase morreu! Irresponsável! Devia ter feito logo uma cesárea!
b) Se foi cesárea: Olha só como a criança nasceu mal. Graças a Deus que foi cesárea! Se na cesárea já nasceu mal desse jeito, se tivesse insistido no parto normal, a criança teria morrido, com certeza!

Situação 3- O bebê nasceu bem!
a) Se foi normal: Ué, é o normal.
b) Se foi cesárea: Tá vendo? Meu filho nasceu de cesárea e está ótimo! Essa história de riscos da cesárea era tudo mentira, olha só que lindo o meu filho...

O que quero mostrar com isso? Que, na representação social, a cesárea NUNCA pode estar errada. Se a criança morre ou nasce mal, na cabeça de muitas pessoas, a culpa nunca terá sido da cesárea. Já se for parto normal...

Mesmo quando a falha é da assistência e não da via de nascimento, logo o fato trágico é usado para ilustrar o perigo do parto normal. Fazendo isso, usamos de dois pesos e duas medidas para avaliar os procedimentos. Como, então, poderemos ter uma opinião isenta desse jeito?

Mas não é só isso. Há o vasto lugar desconhecido dos medos inconscientes e elaborações pessoais. Não é fácil se livrar de uma cultura que aprendeu a associar parto normal com dor e sofrimento, após gerações e gerações que sabiam muito pouco a respeito do funcionamento do próprio corpo. A menos que nos embrenhemos nessa busca, em nenhum momento da nossa vida temos condições de ter acesso a informações ricas sobre esse nosso corpo funciona na hora do parto. Então, não conheço nenhum assunto onde se propaguem tantos mitos, preconceitos, idéias confusas... E, consequentemente: medo, muito medo.

Estar com 40 semanas de gestação é estar cara a cara com o inominável desconhecido: é estar diante de uma situação de vida ou morte. Cesárea ou normal, existe o risco. Diante dele, ainda que não queira, toda mulher se posiciona. Assume os riscos que prefere correr, em detrimento de outros. Dar à luz é ter, pela primeira vez, que elaborar o principal papel de todas as mães: Deixar seu filho ir. Isso dói. Física e emocionalmente. Ter que ajudá-lo na passagem para uma vida independente. Isso acontece quando ele nasce, quando ele desmama, quando aprende a andar, quando vai à escola. A cada passo, a dor de uma pequena separação. Mas o parto é a primeira vez. A partir dele, nunca mais poderei ter a proximidade de sentir cada pequeno movimento do meu bebê, controlar tudo o que ele come, saber sempre exatamente onde ele está. Daí pra frente, tudo o mais será um risco: Como fazer pra ser uma boa mãe? Como "pegar o jeito" de amamentar?

Como fazer pra não deixar faltar carinho pra ele e ao mesmo tempo dar conta de todos os outros papéis sociais que tenho? Existe carinho demais, ou quanto mais melhor? Como dar conta de transformar esse pequeno ser numa pessoa feliz e digna?
São tantos desafios... Cada um traz um novo medo, uma nova superação...

Mas, sabem, eu me entristeço quando vejo uma mulher grávida que, por medo, não acredita em si mesma. Que fica triste quando o médico diz que ela precisa fazer cesárea porque seu corpo não dará conta de ter seu filho sem precisar de intervenção cirúrgica. Mas, mesmo triste, ela se submete. E ainda defende e justifica, como sendo dela, uma limitação que na verdade ela não tem. Eu a vejo como um pássaro lindo que, mesmo tendo duas asas perfeitas, permitiu-se acreditar que não voa, e assim não poderá jamais conhecer a imensidão e beleza do céu...

Não preciso que acreditem em tudo que digo. Gostaria apenas que todas as grávidas se perguntassem: E se realmente isso for assim tão belo? E se eu realmente POSSO, SOU CAPAZ de vivenciar essa experiência extraordinária?

Será que não vale a pena o esforço de pelo menos procurar uma segunda opinião, de questionar o meu médico até me sentir esclarecida, de ir um pouco mais longe da minha casa...?

Meu filho só vai nascer uma vez...

Há um significado profundo em um parto... A perfeição de podermos, pela primeira vez, eu e meu filho, ter a cumplicidade de confiar, de contar um com o outro para abrir os caminhos do meu corpo, em direção à vida feliz que ele terá...



Imagem: Tekatun

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Fobias de parto


A partir do terceiro trimestre ocorre um fenômeno da maior importância. Com todas as estruturas fisiológicas formadas e funcionais, a existência no espaço aéreo agora é viável para o feto, que se encontra em pleno e rápido desenvolvimento, ganhando peso e volume.


Há, então, uma alteração na dinâmica psíquica da gestante, pois com a possibilidade de vida de seu bebê, mesmo num parto prematuro, altera-se, também, a percepção que tinha dele e que lhe permite começar a pensar quando será o parto e como será. 

No decorrer das semanas, o corpo da futura mamãe vai se avolumando mais e mais, provocando-lhe um intenso desconforto físico. Percebe-se mais pesada e lenta, sem energia e disposição para manter suas atividades habituais, também porque não mais encontra posição confortável para dormir.

Embora todas as gestantes sintam-se mais limitadas, as reações são diferentes. Enquanto umas descansam, ficando um tempo maior deitadas e inativas, outras continuam hiperativas como negando a gravidez, uma vez que a baixa de atividade geral, significaria aumento na angústia. 
Uma parte considerável delas continua exercendo suas ocupações profissionais e do cotidiano, embora exigindo maior esforço. Com esta realidade que se lhes apresenta, a proximidade do parto é um fato inegável e percebida com grande temor, embora a evolução da obstetrícia moderna tenha diminuído sensivelmente o risco físico tanto para a parturiente quanto para o bebê. 
Podemos aqui incluir a mulher cuja gravidez foi planejada e que no decorrer desta tenha adquirido um grande amadurecimento emocional, desejando a chegada do bebê. Ela também sente a angústia do parto, embora com um grau suportável.
Assim, mais uma vez que a ansiedade se exacerba e os sentimentos são ambivalentes: a vontade de terminar a gravidez e ter o filho alterna-se com a vontade de prolongá-la para que possa fazer as adaptações internas e externas necessárias para acolher o bebê. 
É que neste momento a angústia tem raízes mais profundas e inconscientes. Todos os temores vivenciados desde o início da gravidez se reatualizam, porque com o parto, a mulher terá a constatação se os momentos de dúvidas, questionamentos e incertezas não prejudicaram o feto e se realmente é merecedora de ter um filho saudável e perfeito, ou seja, aquele que ela vai ter que mostrar ao pai, à família e aos amigos em geral.
A angústia do parto é, talvez, a mais primitiva que se conhece, pois faz reviver o momento crucial em que ocorre a separação definitiva do corpo materno, quando do próprio nascimento. 
A ansiedade mais expressiva que surge refere-se à data aproximada do parto: "quando será?". Nesta questão, escondem-se outras: "como será o parto, como será o bebê, como serei enquanto mãe, terei condições de assumir o compromisso com esta nova vida?..."

terça-feira, 26 de abril de 2011

Trocar de médico... no final da gravidez

Matéria que encontrei no Blog da Angela Rios...

 Coloco também o relato dela sobre o assunto:
 
Angela Rios: Essa é uma discussão muito frequente que tenho no consultório. Infelizmente as gestantes percebem a maioria de seus médicos distantes ou pouco claros durante as consultas, o que as deixa inseguras e com medo. Algumas delas preferem "obedecer" as condutas do médico, mesmo que não concordem, por insegurança de buscar outro profissional. 
Acompanhei o caso de uma mulher que, ao ter a indicação de uma cesárea desnecessária aos "45 do segundo tempo" bateu o pé, procurou uma segunda opinião e conseguiu o parto normal rápido e tranquilo para o qual ela tinha se planejado durante toda a gravidez. Neste caso não foi preciso trocar de médico, apenas ao procurar informação e mostrar-se dona de seu corpo, o médico mudou a conduta e desmarcou a cesárea injustificada.

Segue o artigo da revista Crescer deste mês, que aborda esse assunto.

Para ver o original, clique aqui.

"Ninguém vai dizer que essa decisão é fácil, mas se você está insegura, não arrisque. Saiba como fazer essa transição da melhor maneira, tanto para você quanto para o seu bebê"

Assim que a coordenadora de recursos humanos Juliana Costa Curta, 27 anos, descobriu que estava grávida, com quatro semanas, disparou telefonemas e e-mails para as amigas que já tinham filhos e pediu a indicação de um obstetra. 
Na primeira consulta, deixou claro que desejava ter o bebê de parto normal. Passaram–se 29 semanas e, na reta final da gravidez, a médica começou a questionar a decisão da futura mãe. 
“O que ela quis dizer é que não faria o parto da maneira como eu queria. Ela não ia tentar o parto normal comigo. Saí do consultório e chorei desesperadamente”, lembra. 
Essa mudança de postura do médico, dizem os especialistas ouvidos por CRESCER, é a responsável pela maior parte da troca de obstetra nos últimos meses de gestação. 
Mas existem outros motivos para isso acontecer, como descredenciamento do convênio, mudança de cidade da paciente ou do especialista ou até porque o obstetra particular pediu um valor alto para fazer o parto – e a grávida não tem como pagar. 
Se trocar de médico é uma mudança difícil e trabalhosa em qualquer momento da vida, no fim da gravidez é ainda mais complicado. “A mulher se sente como se tivesse sido traída”, afirma Carlos Navarro, obstetra, professor da Universidade Federal do Paraná, que afirma receber pelo menos três grávidas por semana com essa queixa.

Hora da mudança

Se você está surpresa com a mudança de atitude do seu obstetra, o melhor é, antes de tomar qualquer decisão, entender os motivos dela. E, se for o caso, ouvir um segundo especialista para ver se ela se justifica. 
“De cara, não troque de médico, a não ser que a situação seja insustentável. Tente ouvir a opinião de outra profissional para saber se o diagnóstico que você recebeu não é verdade”, afirma Jorge Kuhn, obstetra, professor-assistente da Universidade Federal de São Paulo. 
Se não for o caso, aí você precisa mudar mesmo. Na hora de marcar a consulta com o novo especialista, que pode ter sido indicado por uma amiga, alguém da família ou até pelo seu clínico geral, explique a situação e peça um agendamento de emergência, se possível.

Na primeira visita, observe tudo o que você notou na hora de escolher o primeiro. Veja como é o consultório, se o médico tem disponibilidade na agenda, fale com outras pacientes, pergunte alguns detalhes da rotina para a secretária etc. Sim, é preciso “vasculhar” tudo de novo. E leve seu marido. A mudança gera ansiedade na família também. Quanto mais os outros sentirem que vai dar certo, melhor para você.

Quando se encontrar com o especialista, não deixe de levar em conta o fator empatia. Pergunte se ele vai estar aqui quando o bebê nascer, se atende celular de madrugada etc.
“Fale porque você trocou de médico e que está procurando um profissional que a ajude a ter o parto da maneira que você deseja. Agora você tem pouco tempo para estabelecer uma relação de confiança”, diz Alamanda Kfoury, obstetra, professora da Universidade Federal de Minas Gerais. 
Leve todos os exames e seu prontuário do pré-natal. Ali estão informações importantes sobre a evolução da sua gravidez e do bebê. Se você não tem esses documentos, peça as informações para o antigo médico. Ele é obrigado a fornecer todas as anotações, mesmo que sejam cópias.

Se você trocou de obstetra por conta do convênio, cheque se o novo especialista atende o seu plano de saúde e se faz parto na maternidade que você escolheu. Se ele não atende, avalie até que ponto vale a pena pagá-lo e faça as contas para ver se cabe no seu orçamento. Caso a resposta seja negativa, respire fundo e comece uma nova busca.

Ainda que você tenha gostado muito do novo médico e decidido seguir com ele, uma pontinha de insegurança pode aparecer, seguida da velha máxima: “Será que estou tomando a decisão certa?”. 
A assistente comercial Priscila Pinheiro Candéa Moraes, 28 anos, grávida de 33 semanas, viveu esse drama por um mês. 
“Eu chorava todos os dias. Foi o período mais difícil que enfrentei durante a gravidez”, diz. A psicóloga Mariana Tezini, da Casa Moara (SP), clínica multidisciplinar que atende gestantes, explica que se a mulher tiver bem desenhados os planos para a sua gravidez, essa sensação de angústia, aos poucos, vai ceder espaço para um grande alívio. 
Definido quem vai cuidar de você, combine tudo sobre o parto: quem vai estar na hora, o tipo de anestesia, a música que vai tocar etc. São esses mínimos detalhes que vão deixar você ainda mais segura e tranquila para receber o seu bebê. 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Fotos de Gestantes Ativas Fazendo Exercícios no ES

Olá Pessoal...

Vou postar umas fotinhas durante uma aula minha...

Essa aula foi realizada na Clínica Gerar em Jardim da Penha - Vitória - ES, um dos lugares que dou aula em Vitória. 

A Clínica Gerar é de uma amiga minha também fisioterapeuta especialista em Saúde da Mulher, Priscila Valentim, que trabalha em Vitória a bastante tempo.

Hoje em dia a Priscila também é uma das minhas alunas, ela está grávida de 19 semanas da segunda filha: Raquel.

A primeira foto é do exercício que chamamos de Gato, é ótima para quem está com dor lombar.
Gatinho para mobilização da coluna lombar e fortalecimento do períneo
Vale lembrar que a fisioterapia para gestantes não é só realizada quando se está com dor, mas também para manter a gestação saudável, fortalecer o corpo globalmente e prevenir dores.

Os exercícios são benéficos tanto para as mamães que querem o parto normal quanto as que querem cesárea.

E para quem quer parto normal, fazemos diversas posições que poderão ser utilizadas no trabalho de parto e parto, além de uma aula específica para o parto normal, onde o marido acompanha e aprende o que poderá fazer para ajudar a mamãe e também participar ativamente do parto.

Posição que geralmente as gestantes adoram, pois promove relaxamento 

Gestantes Ativas... cada uma com uma idade gestacional


Eu e as Gestantes na Clínica Gerar

Eu e a Cris... olha que barriguinha mais linda, é a Sara
Além dos exercícios, também fazemos Drenagem Linfática Manual para as gestantes que estão com edema (inchaço) e no pós parto fazemos reeducação perineal (fortalecimento do períneo através da eletroestimulação).


Venha fazer uma aula experimental...

Mais informações: (27) 3032-6974 / (27) 9938-8501

domingo, 10 de abril de 2011

Pesquisador internacional conta pesquisa de como proteger o períneo no pré e pós parto

Tomara que aqui siga o exemplo de outros países que indicam a fisioterapia uroginecológica pré e pós parto para prevenção de Incontinência Urinária e fecal, lembrando que é indicação para qualquer tipo de gestante independente da via de parto.

O fisioterapeuta especializado em uroginecologia e pesquisador do Departamento de Epidemiologia e  Urologia da Universidade de Maastricht da Holanda, Bary Berghmans, esteve nesta sexta-feira (8) no anfiteatro 1 da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp participando do evento Atualidades em Urofisioterapia. 

Berghmans foi convidado pela disciplina de urologia do Departamento de Cirurgia da FCM para falar sobre o projeto Mother Fit e participar de debates sobre avaliação e disfunção do assoalho pélvico, bexiga hiperativa, incontinência fecal e outros temas relacionados com linhas de pesquisa desenvolvidas na Unicamp. 



O projeto Mother Fit tem como objetivo evitar que as mulheres possam desenvolver alguma disfunção pós-parto no assoalho pélvico - musculatura na região da bacia, que envolve a bexiga, intestino e útero –, entre elas a incontinência urinária e a fecal. Berghmans iniciou a pesquisa em 2006 na Universidade de Maastricht após o acesso aos dados dos gastos governamentais com tratamentos das disfunções do assoalho pélvico. Atualmente, pretende disseminar o projeto em outros países. 

“Percebemos que o gasto era equivalente aos tratamentos do câncer e da AIDS. Então, buscamos desenvolver uma pesquisa para identificar o problema e encontrar soluções viáveis”, explicou Berghmans.



Segundo o professor e urologista da Unicamp Carlos D´Ancona, desde 2001 existe uma relação muito forte entre a disciplina de urologia da FCM e a Universidade de Maastricht. Há parcerias em pesquisas na área de eletromodulação e eletroestimulação do assoalho pélvico para o tratamento de disfunções urinárias. “Estamos fazendo o convite para Bary ser professor-convidado da Unicamp e fazer parte do quadro de docentes da FCM”, revelou D’Ancona.

Na programação da disciplina de urologia ainda existe para o segundo semestre outros eventos para discutir a incontinência urinária na criança, no homem e na mulher em diferentes situações. Bary Bergmans é director do Pelvic Care Center Maastricht da University Hospital Maastricht (Holanda), professor convidado da Hogeschool Zuyd, da Holanda e da Universidade Católica do Paraná. É professor e prelector em diversos cursos e congressos em todo o mundo.

Autor de diversos artigos e livros científicos, dentre eles “Urofisioterapia – Aplicações clínicas das técnicas fisioterapêuticas nas disfunções miccionais e do assoalho pélvico”, editado pelo professor Paulo Palma, da FCM da Unicamp. 


É presidente do Cochrane Collaboration Urinary Incontinence Review Group for the review of electrical stimulation for urinary incontinence e membro de diversos comitês da International Continence Society, International Consultation of Incontinence, Royal Dutch Association of Physiotherapists e Royal Dutch Association of Physiotherapy.

É responsável pela elaboração de guidelines internacionais sobre  incontinência urinária e fecal e revisor científico de diversas revistas científicas relacionadas com a Uroginecologia, Epidemiologia e Fisioterapia, tais como: Journal of Urology, The European Journal of Urology, Urology, Journal of Clinical Epidemiology, Clinical Rheumatology, Neuro-urology & Urodinamics, International Urogynecological Journal e The Cochrane Collaboration Library.

Texto e imagem: Edimilson Montalti
ARP - FCM
Unicamp