E por esse e outros motivos que grito para o mundo inteiro ouvir que:
É possível ter períneo íntegro, tendo consciência da musculatura do
períneo e fazendo a massagem perineal.
Todas as mulheres devem saber que não precisam de "corte na vagina".
Tenho muito, muito orgulho dos períneos íntegros!!! E as gestantes tbm.. Não é mamães?!
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E assim nasceu Liz depois de um trabalho de parto longo e difícil...
24h total de trabalho de parto
10h de fase ativa
3h de período expulsivo
E ela conseguiu, com muito orgulho, sem analgesia!!! Com períneo íntegro!!!!
Parabéns papais!!!!!!
#gestavida #exercicioparagestante #partonormal #thaisramos #perineointegroparatodas
Texto: Vila Mamifera
O parto normal no Brasil não é nada normal. Cheio de intervenções e
procedimentos que são uma verdadeira violência contra as mulheres. Este
tipo de parto deixa marcas, não só no períneo, mas principalmente na
psique feminina, perpetuando o terrível imaginário sobre a prática do
parto “normal”.
A verdade é que existem poucos médicos que verdadeiramente sabem
deixar a mulher se conduzir a um parto natural, sem as intervenções e a
terrível prática da episiotomia.
Segundo a médica Ginecologista, Obstetra e Parteira, Melânia Amorim, a
episiotomia consiste numa incisão do períneo (parte de pele, músculos
etc. entre a vagina e o ânus) para ampliar o canal de parto e sua
prática foi historicamente introduzida no século XVIII por uma parteira
irlandesa para ajudar o desprendimento do bebê em partos difíceis.”
Embora não tenha ganhado popularidade no século XIX, o procedimento
tornou-se disseminado no século XX em diversos países, sobretudo nos
Estados Unidos da América e países latino-americanos, entre eles o
Brasil. Foi nesta época em que a percepção do nascimento como um
processo normal requerendo o mínimo de intervenção foi substituído pelo
conceito do parto como um processo patológico, requerendo manipulações
médicas para prevenir lesões em mãe e bebês”, afirma a médica em seu
artigo (
clique aqui para ler na íntegra).
Daí por diante a episiotomia se difundiu e obstetras famosos de
meados de 1920 sugeriam que a incisão perineal, juntamente com o fórceps
fossem utilizados em todos os partos de mulheres que estivessem parindo
pela primeira vez (primípiras). O objetivo de tal recomendação visava
reduzir a probabilidade de lacerações perineais graves e o risco de
trauma fetal.
Sabemos que o dominó de intervenções é o grande vilão das lacerações
graves no parto normal. Afinal, uma posição de cócoras aumenta em 30% a
abertura do canal vaginal; não fazer força na hora do expulsivo (ato
impossível quando a mulher está anestesiada) e a massagem do períneo
ajudam a reduzir o risco das lesões mais graves.
Melânia diz que alguns autores mencionam que a prática da episiotomia
aumentou consideravelmente a partir da década de 1950 porque muitos
médicos acreditavam que sua realização reduzia significativamente o
período expulsivo, o que lhes permitia atender rapidamente a grande
demanda de partos hospitalares.
A laceração é um rompimento orgânico dos músculos perineais para
permitir a passagem do bebê. Por respeitar o desenho natural do tecido a
recuperação do mesmo é muito mais rápida e os traumas infinitamente
menores se comparados com uma episiotomia.
A adoção de posições que facilitem a abertura vaginal, a ausência de
manobras e procedimentos médicos ajudam a reduzir o risco de lacerações
que acontecem em primeiro grau (envolve a fúrcula, a pele perineal e a
membrana mucosa vaginal), segundo grau (envolve a fáscia e o músculo do
corpo perineal), terceiro e quarto graus, ( que envolve o esfíncter anal
e a mucosa retal, respectivamente) estas últimas bem mais raras em
partos naturais.
Em minhas conversas neste mundo mamífero vejo relatos de mulheres que
disseram que suas episios demoraram bem mais para cicatrizar (comparado
com as mulheres que tiveram laceração) e as dores durante as relações
sexuais continuaram, mesmo tendo passado mais de 3 meses.
Se mesmo uma laceração de grau mais elevado é melhor que uma episiotomia, porque os obstetras continuam usando como rotina?
Bem, a resposta imediata que me vem é que é muito mais fácil costurar
a linha reta da episio do que as curvas de uma laceração. Outro ponto
que em um evento sobre períneo íntegro, em um dos Hospitais com as
maiores taxas de cesárea e práticas médicas ultrapassada, é que uma
mudança de comportamento leva anos para ser disseminada no meio médico.
A discussão, na verdade, ganha uma esfera mais ampla. No país com uma
das maiores taxas de cesariana do mundo , conseguir um parto normal é
uma raridade e pode ser muito traumático, nos moldes intervencionistas.
Eu não vejo outro caminho senão lutar por um parto natural humanizado,
negando a episiotomia, os velhos conhecimentos médicos e buscando um
caminho natural.
Mulheres que fazem a massagem perineal têm grande redução no risco de
lacerações. A técnica é usada para ajudar no alongamento/flexibilidade e
preparar a pele do períneo para o parto. Essa massagem não vai apenas
preparar o tecido do seu corpo, mas vai também é um uma fonte de
conhecimento sobre as sensações do parto e como controlar esses
poderosos músculos. Durante o expulsivo, o períneo deve se manter
relaxado.
- Encontre um lugar onde se possa sentar e estar sozinha, ou com seu parceiro, ininterruptamente.
- Tente ver seu períneo com ajuda de um espelho, note como ele é. Nem sempre será necessário um espelho para essa tarefa!
- Pode usar compressas com toalhas mornas no períneo por 10 minutos,
ou tomar um banho morno (de banheira, assento, ou chuveiro, em último
caso), caso precise relaxar.
- Lave as suas mãos e peça ao seu companheiro para fazê-lo também, caso ele a ajude nas massagens.
- Lubrifique seus dedos polegares e o períneo. Você pode usar muitos
tipos de lubrificantes: Gel Lubrificante Íntimo (encontrado nos
hipermercados e farmácias), KY Gel®, óleo de vitamina E, óleo vegetal
puro (óleo de semente de uva é uma boa indicação!), etc. Para quem tem
candidíase recomendo óleo de coco com uma gota de melaleuca TeaThree.
- Coloque seus dedos polegares um pouco dentro de sua vagina,
empurre-os para baixo e pressione para os lados. Deve sentir um leve
estiramento, formigamento, ou uma leve queimação, mas nada que seja
dolorido. Mantenha esse movimento por 2 minutos ou até que região fique
levemente adormecida.
- Se sofreu uma episiotomia ou lacerações prévias, preste especial
atenção ao tecido de cicatrização que, geralmente, não é tão elástico e é
onde a massagem deve ser feita mais intensamente, com cuidado.
- Massageie em volta e por dentro da região mais externa da vagina e
seus tecidos, onde ela se abre, e mantenha sempre a lubrificação.
Use seus polegares para puxar um pouco os tecidos, forçando-os a
abrirem-se, imagine como seria se a cabeça do seu bebé estivesse
-
fazendo esse movimento na hora do parto.
Se seu parceiro estiver fazendo a massagem, pode ser muito útil que
ele use os polegares. A sensação pode ser mais bem percebida por você,
mas não deixe de guiá-lo com suas sensações para que ele saiba qual a
pressão que deve utilizar. Nesta massagem, quando ela está sendo feita
pelas primeiras vezes, é comum que seja possível usar somente um dedo,
até que a musculatura seja trabalhada e possa ser estendida.
Cuidados:
1. Evite mexer no ou abrir o orifício da uretra (logo acima da vagina) para evitar infecções urinárias.
2. Não faça massagens no períneo se você tiver lesões ativas de herpes (isso pode causar o aumento da área das lesões).
3. Pode começar essas massagens em torno da 34a semana de gravidez.
Se já passou da 34a semana e ainda não começou, não desista! A massagem
pode trazer-lhe benefícios ainda assim. Pode fazê-la pelo menos uma vez
por dia.
4. Lembre-se que a massagem sozinha não vai proteger seu períneo, mas
ela é parte de um grande esquema. Escolher uma posição vertical para
parir (de cócoras, de joelhos, sentada etc.) favorece a distribuição de
pressão no períneo. Se escolher parir deitada de lado, isso também reduz
muito a pressão no períneo. Deitada de costas, totalmente na
horizontal, é a posição para parir em que há mais chances de se provocar
lacerações e necessidade de episiotomia.
Você passou por uma episio? Como foi a experiência? Teve laceração no
parto? De qual grau e a que atribui? Teve um parto sem laceração? O que
garantiu o sucesso. Sua experiência pode ajudar outras mulheres a
optarem por um parto natural.