quinta-feira, 24 de julho de 2014

Entenda o sexo pós-parto do físico ao emocional

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Voltar a ter relação sexual depois do nascimento de um filho se compara a perder a virgindade. Sim, não estou exagerando. São tantos medos, dúvidas, inseguranças que a mulher acaba deixando o sexo em segundo plano, ou pela falta de vontade, nem toca no assunto.

Saiba que essa “sensação” de estranheza é muito comum e tem explicação. A psicóloga Mirian Kedma, conta que devido às alterações hormonais é completamente comum a falta de interesse por sexo no pós parto parto, atrelado a isso, tem cansaço físico e emocional, além disso, as  mudanças no corpo podem afetar a auto estima da mulher.

Outro fato é a influência da amamentação na libido, essa que é transferida para os seios, que por sua vez se desenvolve uma atividade sexual permanente: “A prolactina, responsável pela produção de leite, inibe os hormônios ligados à sexualidade, como o estrogênio, cuja diminuição provoca falta de lubrificação vaginal, fazendo com que a penetração seja dolorosa.” aponta, Mirian.

Para a ginecologista e obstetra Priscila Huguet, não existe regra para voltar a ter relações, ela esclarece que é uma questão de segurança da mulher, desde que respeitando o tempo de cicatrização (em caso de cirurgias cesarianas, episiotomias ou mesmo lacerações naturais) que ocorre em no máximo 15 dias. No entanto, ela afirma que não se pode calcular o tempo exato para o chamado “resguardo”, porque cada organismo responde de uma maneira: “Não é possível falar em números, assim como dizer que tem que esperar 40 dias é balela. Então, se a mulher se sente bem, não lacerou, não tem dor e não sangra mais, pode retomar as relações.”.

Priscila informa, que as chances de engravidar nesse período são pequenas, desde que a mulher amamente exclusivo e em livre demanda. Se ainda assim optar métodos contraceptivos, eles podem ser: o DIU de cobre ou hormonal, pílula de progesterona, diafragma e a camisinha. Caso a mulher se sinta muita insegura com a penetração vaginal, está liberada para praticar sexo oral (desde que parado o sangramento), anal e masturbação, mais que isso é a chance de (re)descobrir outras formas de carinho e prazer.

2287699-9366-recSobre os fatores emocionais, a fusão emocional mãe-bebê, a participação do pai e muito mais, você confere abaixo, uma entrevista com a psicóloga Mirian Kedma.

A perda de interesse pelo sexo no pós-parto

Após o nascimento do bebê é normal que o desejo sexual da mulher diminua, mesmo depois que o obstetra da o “ok” para voltar a ter relações sexuais, a maioria das mulheres não sente vontade nenhuma. A falta de desejo é um fato e pode durar meses.
Há vários fatores que motivam isto:

 A mulher tem que se dedicar ao cuidado de um recém-nascido e isso requer dela tempo integral. O cansaço não é só físico, mas é também emocional. O corpo da mulher está se recuperando da gravidez e do parto. Há mudanças hormonais que podem desequilibrar a mulher em vários aspectos e um deles é a diminuição da libido. Por outro lado, há mudanças corporais.

Algumas mulheres ficam com quilinhos de mais, barriguinha, estrias e isso pode afetar a autoestima. Pode também existir um medo inconsciente (ou consciente) de engravidar novamente, então a aversão ao sexo é uma maneira de espaçar as gravidezes.

A fusão mãe-bebê e a falta de desejo sexual

Um recém nascido exige atenção e cuidados constantes. O contato físico é permanente demandado belo bebê, ele quer sempre estar no colo ou mamando no peito. Laura Gutman fala que a mãe se funde com as sensações do bebê e que eles (mãe e bebê) continuam fundidos no mundo emocional por um longo período de tempo. Este estado fusional da mãe com o bebê é o que garante que ela possa se desdobrar para cuidar da cria e também é necessário para a construção do “eu” do bebê. À medida que o bebê for crescendo e se percebendo como diferente do outro, a separação emocional ocorre, mas isso só começa a acontecer por volta dos 2 ou 2,5 anos de idade. Então, é um período em que a mãe se verá envolvida em uma árdua tarefa que demanda não só esforço e dedicação física, mas emocional também.

A amamentação influência e a diminuição da libido

Durante a amamentação, simplesmente a libido é transferida para os seios. Ali se desenvolve uma atividade sexual permanente. A influência hormonal é visível. A prolactina, responsável pela produção de leite, inibe os hormônios ligados à sexualidade, como o estrogênio, cuja diminuição provoca falta de lubrificação vaginal, fazendo com que a penetração seja dolorosa.
Além disso, como foi mencionado anteriormente, o bebê demanda muito tempo e amamentar é uma das empreitadas que mais tempo demanda, principalmente nos primeiros dias após o nascimento, em que mãe e bebê estão se adaptando, e ainda mais se no começo da amamentação há algum contratempo ou entrave.

Como recuperar o desejo

Bem, a maioria das mulheres percebe que a diminuição da libido e a consequente falta de desejo sexual são temporárias.

Uma maneira de ajudar as mulheres no pós-parto em si e não só na questão do desejo sexual, mas em outros aspectos como amamentação, cuidados do bebê, como lidar com relacionamentos familiares, com as mudanças de humor neste período e outras dificuldades é frequentar um grupo de apoio a mães no pós-parto. Sabe-se que este tipo de grupos acaba sendo terapêutico para as mulheres, no sentido de ajudar a prevenir a depressão pós-parto e outras ansiedades deste período. Outro ponto essencial é a compreensão e afeto do parceiro. 

Quando o homem entende que essa fase é normal e colabora e apoia a sua mulher, dividindo as tarefas e ajudando no cuidado do recém-nascido, ela não fica sobrecarregada. Muitos maridos se irritam com a “frieza” da mulher e até sentem ciúme da dedicação dela ao bebê. Quando o homem compreende que a presença do bebê passará a participar do relacionamento do casal, em todos os sentidos, porque a mulher está fusionada emocionalmente com este bebê, ele poderá se aproximar dela de outra maneira e entender as transformações que ela está vivenciando desde o nascimento do bebê.

É o esgotamento físico que acaba com o desejo?

Não é só o esgotamento físico. O cansaço, a falta de tempo que faz com que a mulher fique às vezes de pijama o dia todo, o corpo mudado, os fatores hormonais e emocionais antes citados, tudo contribui para que o desejo demore em reaparecer. E quando surge um tempinho livre? O corpo só pede uma coisa: dormir!

Mudanças corporais no pós-parto influenciam?

Sim, depois do nascimento do bebê não estamos em nosso melhor estado físico. A mulher precisa de um tempo para se recuperar. A autoimagem também é afetada, as formas não são as mesmas de antes da gravidez, também não são as de uma mulher grávida. Geralmente a roupa de gestante fica enorme e a anterior à gravidez não serve! Tudo isso pode baixar a autoestima da mulher e favorecer a diminuição do desejo sexual.

Carinho e atenção são imprescindíveis no relacionamento sexual pós-parto

Laura Gutman é uma psicoterapeuta de quem gosto muito, ela explica que se deve “feminilizar a sexualidade no pós –parto”, ou seja, quando o casal se conecta com a parte feminina da sexualidade que não precisa de penetração nem de orgasmos, o relacionamento sexual se torna mais pleno, mais completo e mais sensível. Abraçar, beijar e descobrir outras formas de demonstrar afeto pode ser suficiente para acender a chama. A compreensão e o acompanhamento da realidade física e emocional da mulher são necessários para que o romance não morra.

Muitos casais esquecem do namoro, pensam apenas na penetração e perdem a criatividade. Trazer flores, fazer mimos, um jantar especial, reconquistar a mulher como na época do namoro faz parte desta “feminilização” da sexualidade que é necessária neste momento de transformação feminina.

O homem pode perder o desejo no pós-parto de sua mulher?

Sim, pode acontecer devido ao cansaço e ao envolvimento com a rotina do bebê, mas pais que se envolvem nos cuidados dos filhos compreendem mais as mudanças pelas quais as mulheres passam e geralmente andam junto com suas mulheres pelo caminho da redescoberta e da renovação da sexualidade após a chegada dos filhos.

* Mirian Kedma é formada em psicologia pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina. – Psicoterapeuta com pós graduação em Psicodiagnóstico e psicoterapia com Orientação Psicanalítica pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina
** Priscila Huguet é  formada pela UNICAMP em 1998. Fez residência médica em ginecologia e obstetrícia com especialização em mastologia e oncologia ginecológica no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM), também pela UNICAMP.  Especialista em ginecologia e obstetrícia pela FEBRASGO (2001), mastologista pela Sociedade Brasileira de Mastologia (2006), tem certificado de atuação em sexologia pela FEBRASGO (2010)e ALSO (Advanced Life Support in Obstetrics), pela AAFP-American Academy of Family Physicians (2011).
Pós-graduada em sexologia pelo ISEXP (2007), é também mestre em Tocoginecologia pela UNICAMP (2005), tendo seu artigo “Qualidade de Vida e Sexualidade de Mulheres Tratadas de Câncer de Mama” publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO) e na The Breast Journal como “ Sexuality and Quality of Life in Breast Cancer Survivors in Brazil”.
Atua desde  2009 como médica voluntária na ONG Expedicionários da Saúde, atendendo a indígenas em regiões isoladas da Amazônia.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Exercício para gestante no Parque da Cebola - Vitoria - ES



A copa já passou, mas causou um super tumulto na vida de todos...

Como o Studio fechava cedo durante os dias de jogo e as barrigudinhas também saiam cedo do trabalho, resolvi aproveitar o clima de inverno de Vitória e dar aulões no parque da pedra da cebola!!

E foi uma delícia, todas amaram!!!

Lembrando que praticar exercícios físicos durante a gestação também traz benefícios no pós-parto, já que melhora a circulação sanguínea, evitando os incômodos inchaços, e permitindo retorno mais rápido às atividades cotidianas.

Beijão Thais Ramos

Parque Pedra da Cebola - Vitoria - ES
Andrea e Fernanda treinando a respiração para o período expulsivo no parto normal e Helena imitando a mamãe Paula nos exercícios

Massagem no final..
3 dessas barrigudinhas já estão com seus bebes no colo!!!
Tem turma mais bonita que essa?










segunda-feira, 19 de maio de 2014

As 50 Intervenções desnecessárias durante a gravidez, parto e pós-parto

(por Ingrid Lotfi com supervisão técnica de Melania Amorim e Maíra Libertad)
  1) Exames pré-natais não incluídos na rotina preconizada pelo Ministério da Saúde do Brasil (os exames recomendados são: grupo sanguíneo e fator Rh, sorologia para sífilis – VDRL, hemoglobina e hematócrito para rastreamento de anemia, exame de urina tipo I, sorologia para HIV e hepatite B – AgHBs, glicemia de jejum, teste para toxoplasmose-IgM, colpocitologia oncótica se necessário).

2) Exames de efetividade discutível sem prévia discussão com a gestante sobre riscos e benefícios (p.ex. pesquisa de EGB (Estreptococcus do Grupo B)).

3) Prescrição de complexo vitamínico, sem uma indicação clara.

4) Ultrassonografias sem indicação clínica.

5) Dopplerfluxometria em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

6) Ecodopplercardiografia (exame para avaliar o coração) fetal em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

7) Cardiotocografia em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

8) Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

9) Cesariana eletiva sem indicação clínica e/ou sob falsos pretextos (ver lista das “Indicações das
desnecesáreas).

10) Exames de toque antes do trabalho de parto, sem indicação clara.

11) Descolamento de membranas antes de 41 semanas de gravidez.

12) Descolamento de membranas sem prévia discussão e autorização da gestante.

13) Restringir a escolha do local de parto.

14) Desencorajar ou proibir o acompanhante/doula no parto da escolha da mulher, ou permitir a entrada de pessoas não autorizadas.

15) Internação precoce.

16) Exames de toque/remoção de rebordo de colo abusivos durante o trabalho de parto e de rotina.

17) Exames de toque/remoção de rebordo SEM o prévio consentimento da gestante.
 
18) Toque Retal.

19) Jejum, tricotomia (raspagem dos pêlos) e enema (lavagem intestinal).

20) Qualquer restrição à deambulação/liberdade de movimentos.

21) Estabelecer limites rígidos para a duração da fase latente, ativa e do período expulsivo.

22) Atrapalhar o processo fisiológico do parto, desconcentrando a gestante.

23) Monitoração fetal contínua ao invés de intermitente (onde o profissional ausculta o bebê de tempos em tempos com o sonar).

24) Uso rotineiro de soro com ocitocina/indução com misoprostol.

25) Uso rotineiro de analgesia de parto.

26) Oferecer ou insistir na analgesia de parto sem que a mulher a tenha solicitado.

27) Amniotomia de rotina (rompimento da bolsa).

28) Puxos precoces (treinar fazer “a” força, antes que a mulher possa sentir os puxos).

29) Puxos dirigidos (“faça força agora”, “força comprida”, etc).

30) Manobra de Valsalva (orientar a “trincar os dentes e fazer força”).

31) Desestimular a escolha pela mulher da posição/ambiente em que quer parir.

32) Manobra de Kristeller (empurrar o fundo do útero)/pressão de qualquer intensidade no fundo uterino/”só uma ajudinha”.

33) Manobra de “divulsão” perineal e/ou massagem perineal sem consentimento da mulher.
34) Episiotomia.

35) Não permitir o nascimento espontâneo.

36) Aplicar fórceps e vácuo de rotina e/ou sem autorização da mulher.

37) Sutura rotineira das lacerações.

38) Revisão instrumental do canal de parto de rotina (fórceps, vácuo extrator).

39) Cesariana intraparto sem indicação precisa e sem caráter de emergência.

40) Ligadura precoce do cordão, sem aguardar parar de pulsar.

41) Entregar um bebê vigoroso ao neonatologista para secar e aquecer, afastando-o da mãe.

42) Aspiração de rotina das vias aéreas do recém-nascido.

43) Passagem de sonda de rotina no recém-nascido, para pesquisar atresia de coanas, atresia de esôfago e ânus imperfurado.

44) Uso rotineiro de Credé (colírio de nitrato de prata).

45) Levar bebês saudáveis para o berçário.

46) Fazer qualquer procedimento com o RN sem consultar e obter autorização dos pais.

47) Não permitir o delivramento (saída da placenta) espontâneo.

48) Revisão manual da cavidade uterina de rotina, mesmo em casos de cesárea anterior.

49) Oferecer bicos, chupetas, mamadeiras, com leite artificial para o recém-nascido.

50) Aplicar vacinas sem o consentimento e autorização dos pais.

Retirado do site do Núcleo Carioca de Doulas

quinta-feira, 27 de março de 2014

Versão Cefálica Externa (VCE) - para bebês pélvicos (sentados)

Texto da Dra. Melania Amorim





 
Bebê Pélvico ou sentado (foto cedida por paciente do Programa GestaVida)


 Cerca de 3% dos bebês chegam ao termo em apresentação pélvica. Embora o parto normal seja possível nesses casos, há um aumento do risco relativo de morbidade e mortalidade perinatal e o prognóstico dos bebês pélvicos, independente da via de parto, é ligeiramente pior do que o de bebês cefálicos. Na revisão sistemática da Cochrane sobre cesariana vs. parto vaginal programado para os casos de apresentação pélvica, a mortalidade perinatal foi de 0,26% e 1,15%, respectivamente.


Bebê sentado (foto cedida por paciente do Programa GestaVida)
Tentando prevenir o nascimento de um bebê em apresentação pélvica, várias alternativas têm sido propostas, desde medidas posturais (exercícios), uso de moxabustão, acupuntura e a versão cefálica externa (VCE).




A versão cefálica externa consiste na manobra de reposicionar o bebê que se encontra em apresentação pélvica, "virando-o" dentro da barriga através de movimentos manuais combinados com pressão no abdome materno. Era um procedimento relativamente comum na Obstetrícia do passado, mas durante as décadas de 70/80 sua popularidade caiu muito entre os obstetras, devido a alguns relatos e séries de caso demonstrando efeitos adversos. É por isso que muitos obstetras, ainda hoje, condenam o procedimento.

No entanto, estudos mais recentes, a partir da década de 90, têm demonstrado as vantagens do procedimento, desde que realizado por pessoas experientes, com avaliação ultrassonográfica prévia, sugerindo-se o uso prévio de tocolíticos (drogas para diminuir a contratilidade uterina) e a monitoração da vitalidade fetal depois do procedimento. Uma revisão de 44 estudos com 7377 pacientes que se submeteram a uma tentativa de VCE evidenciou que a a complicação mais frequentemente relatada foi alteração transitória da frequência cardíaca fetal (em torno de 6%). Complicações menos frequentes foram sangramento vaginal (0,5%), descolamento prematuro da placenta (0,1), cesariana de emergência (0,4%) e mortalidade perinatal (0,16%) (Collaris 2004). Devido ao risco de isoimunização Rh, a profilaxia com imunoglobulina anti-D é recomendada para gestantes Rh-negativas que se submetem ao procedimento.

Duas revisões sistemáticas da Biblioteca Cochrane estão disponíveis abordando a VCE no termo e pré-termo. Na primeira revisão (2009), foram incluídos sete estudos, com 1245 mulheres. Observou-se uma redução significativa dos nascimentos não cefálicos (RR=0,46; IC 95%=0,31 - 0,66) e de operação cesariana (RR=0,63; IC 95% = 0,44 - 0,90), sem diferença significativa nos escores de Apgar, pH do sangue do cordão, admissão em UTI e morte perinatal. A taxa de cesariana foi de 19,4% no grupo submetido a versão e de 29,6% no grupo não submetido ao procedimento.

Chama a atenção que a taxa de cesariana, apesar de se reduzir significativamente com a VCE, ainda persiste relativamente elevada (em torno de 20%) em mulheres submetidas a VCE bem sucedida, quando comparadas com mulheres com bebês em apresentação cefálica espontânea (taxa de cesárea em torno de 6%) em diversos estudos, sugerindo que alguma sutil anormalidade subjacente, do concepto, do cordão ou da anatomia pélvica podem estar associadas à apresentação pélvica persistente no termo. No entanto, como os grandes estudos observacionais sugerem que complicações do procedimento são raras e que a VCE reduz tanto a chance de nascimento não cefálico como de cesariana, os autores da revisão Cochrane sugerem que há fortes razões para o uso clínico da VCE a termo, com as devidas precauções, em qualquer mulher para quem a chance aumentada de um nascimento cefálico supera os riscos do procedimento.

Em outra RS Cochrane avaliando os efeitos da VCE pré-termo (antes de 37 semanas), comparou-se uma política de VCE iniciando-se entre 34 e 35 semanas com a não-realização de VCE ou VCE a termo. Comparada com nenhuma tentativa de VCE, VCE antes do termo reduz o risco de nascimentos não-cefálicos. Comparada com a VCE a termo, iniciar VCE entre 34 e 35 semanas parece ter algum benefício em termos de reduzir a taxa de apresentação não cefálica e cesariana. No entanto, como a metodologia dos estudos incluídos variou bastante e os dados foram insuficientes para avaliar complicações, os autores sugerem que, apesar de essas evidências serem promissoras, não são adequadas para apoiar uma política de iniciar VCE antes do termo. Como os resultados da VCE a termo já estão bem estabelecidos, até que novas pesquisas forneçam evidências mais conclusivas em torno da segurança da VCE antes do termo, recomenda-se que o procedimento seja oferecido depois de 37 semanas de gravidez para mulheres com feto único em apresentação pélvica e sem contraindicações.

As contraindicações para VCE são: gravidez múltipla, malformações fetais graves, vitalidade fetal comprometida ou morte fetal, outra indicação de cesárea independente da apresentação (p.ex. placenta prévia) e membranas rotas. Contraindicações relativas incluem cesárea anterior, restrição do crescimento fetal e sangramento uterino, porém as evidências não são suficientes para proibir a versão nesses casos.

O procedimento para versão cefálica externa é relativamente simples, e pode ou não ser monitorado por ultrassonografia. Alguns métodos podem ser utilizados para aumentar a chance de sucesso da versão, mas o mais comum e que oferece bons resultados é o uso de terbutalina (250mcg SC 15 a 30 minutos antes do procedimento) para diminuir a contratilidade uterina. Quando uma primeira tentativa de versão falha, mesmo com terbutalina, recomenda-se repetir o procedimento sob anestesia raquidiana, que promove o relaxamento da parede abdominal e aumenta as chances de sucesso.



Várias organizações recomendam que a VCE seja oferecida a todas as mulheres com apresentação pélvica a termo, como por exemplo o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), a Royal Dutch Organization for Midwives (KNOV) e a Dutch Society for Obstetrics and Gynaecology (NVOG).

Em suma, apesar de alguns obstetras ainda acreditarem que o procedimento é obsoleto e não deve mais ser adotado, todo um corpo de evidências nos últimos 20 anos tem demonstrado o contrário. A versão cefálica externa deve ser incorporada à prática obstétrica, uma vez que reduz expressivamente tanto os nascimentos não cefálicos como as taxas de cesariana. Em uma época em que muitos obstetras perderam a habilidade de conduzir adequadamente partos pélvicos, a VCE surge como uma alternativa atraente e segura para mulheres com bebês em apresentação pélvica que querem ter parto normal, mas não estão seguras ou não encontram obstetras dispostos a prestar assistência ao parto pélvico.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A participação do pai no nascimento do bebê

Ótimo texto da minha querida amiga Renata Olah

Beijos Thais Ramos 


O papel do homem como pai tem mudado nos últimos anos. Antigamente o pai não participava do nascimento de seus filhos, nem de seus cuidados. Era um papel mais passivo e observador.
Felizmente, com o passar dos anos o homem se tornou mais participativo e sua presença se fez essencial transmitindo à mulher maior segurança, tranquilidade e proteção durante a gestação, trabalho de parto e pós-parto.

Porém essa participação durante o trabalho de parto e parto deve ser voluntária e decidida pelo casal para que não seja motivo de constrangimento e nem confusões. Há homens que não têm interesse em participar do processo, e suas esposas idealizam sua participação. Outros querem participar e suas mulheres preferem companhia feminina. E ainda outros casais que querem ficar juntos, mas não sabem muito bem o que fazer... e por isso hoje escrevo este artigo!

A primeira dica é: informe-se! Você também precisa saber o que se passa no corpo de sua mulher, na vidinha do seu bebê e como é um parto! Assim, ficará mais seguro e familiarizado com o processo todo. Um livro bem legal que sempre indico, e que é uma delícia de ler é o "Parto Normal ou Cesárea? O que toda mulher deve saber (e homem também)". Se puder adquirir, será ótimo!

Segunda dica: o lugar do pai é ao lado da mãe! Durante o trabalho de parto e parto o pai deve ficar ao lado de sua esposa, oferecendo sempre carinho, contato visual, palavras de encorajamento e motivação, pois gestantes que estão prestes à parir necessitam de força, acolhimento e segurança... e o envolvimento afetivo com o pai da criança é muito importante para a gestante se sentir capaz de prosseguir!

Se o pai estiver muito nervoso, convém pedir para outra pessoa assumir seu posto. Ele pode sair para se acalmar, dar uma volta, tomar um lanche. Gestantes são muito sensíveis e perceptivas e certamente notarão qualquer sinal de preocupação e nervosismo no rosto de seu parceiro. 
Por isso, papai, se estiver difícil não hesite em também pedir ajuda! Você também precisa estar se sentindo bem para poder dar o apoio que sua mulher precisa! Se vocês tiverem uma doula, converse discretamente com ela. Fale sobre o que está sentindo e como pode se ajudar e ajudar a gestante. Vocês formam um círculo de apoio e estão trabalhando em equipe por isso todos tem que estar tranquilos para o trabalho fluir! A doula também é sua!

O trabalho de parto começou... e agora?


Quando sua esposa entrar em trabalho de parto perceberá que ela sentirá contrações cada vez mais frequentes e intensas. 
No início do processo sua função é a de fazer sua mulher descansar, se distrair, se alimentar e relaxar, pois essa fase deve ser passada em casa, com bastante tranquilidade pois é o período mais longo do trabalho de parto. 
Aproveite para elogiá-la e providenciar um cantinho bem acolhedor, com músicas, luz suave, e o máximo de privacidade possível.

De acordo com que o trabalho de parto for engrenando, perceberá que sua mulher irá desligando seu "cérebro racional" e começará a ser guiada por seus instintos. É bem comum que ela fique mais braba, agressiva e talvez até grite e xingue você! Mas não se assuste, não é pessoal. Esse comportamento é natural e esperado. 
Nesta fase você pode ajudá-la com elogios e reafirmações sobre a sua capacidade de ir até o fim, respire junto olhando em seus olhos, massageie suas costas, tome um longo e gostoso banho com ela. Evite falar muito, fazer piadas e pressiona-la isso pode atrapalhar!

Quando chegarem ao hospital, seu papel essencial será o de dar entrada na papelada. A dica é deixar todos documentos juntos, o cartão de pré-natal que poderá ser exigido!!!

Após a internação, permaneça sempre com ela, mas também cuide-se. Se estiverem com uma doula intercale com ela para você poder descansar, se alimentar, tomar um banho. O trabalho de parto pode durar horas e horas e todos tem que estar bem. 
Ah! E monte sua mala também: muda de roupa, chinelo, produtos de higiene pessoal, toalhas. É melhor ter esses itens à mão, caso vocês passem muito tempo no hospital ou a mulher exija sua presença no banho com ela.

Quando o trabalho de parto estiver ao fim, vai perceber sua mulher mais "aérea", evitando falar e tendo sintomas fisicos como ondas de calor, tremores, arrotos e pressão bem grande na região vaginal e é comum que ela se sinta fragilizada, dizendo que não irá conseguir. É sinal de que ela está na fase de transição, o finalzinho de todo processo.
É nesta fase que o encorajamento, o respirar, o movimentar, o carinho e segurança são importantíssimos. A partir deste momento não saia mais de perto dela, pois o bebê está prestes a nascer!!

Durante o parto, continue reforçando sua capacidade e assim que o bebê nascer faça muita festa para sua mulher. Mostre-se orgulhoso pelo lindo e árduo trabalho que ela acabou de realizar. E também participe dos primeiros cuidados com o bebê! Filme, fotografe, não perca nada!!

E tenha certeza que sua participação foi grandiosa e especial para mãe e bebê. Tenho certeza que depois de ter acompanhado e ajudado no parto do seu filho você enxergará sua companheira com outros olhos e seu bebê com ainda mais amor!!

Um beijo e boa sorte
Renata Olah é fisioterapeuta e doula. Além de atender gestantes e mães de Campinas e região, também coordena o Grupo MadreSer em Americana, e é colaboradora do Grupo Vínculo.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Parto Humanizado Rainã e Diego pais do João

João nasceu no último sábado depois de mais de 30 horas de trabalho de parto...

Parabéns papais, seguem as fotos...

Beijão

Thais Ramos




Controlando a respiração com 9 cm de dilatação


Apoio importante

Últimas contrações

Nasceu João

Não deu para segurar o choro

Diego tinha acabado de cortar o cordão umbilical






João já vidrado na mamãe..
Rainã, Diego o pequeno João e o Dr. Paulo Batistuta


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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Festa Bebês do Ano 2013 - Hospital Santa Rita

Dia 09/12/2013 aconteceu a oitava festa bebês do ano do Hospital Santa Rita...

Festa para comemorar o nascimento dos bebês e de suas famílias.

Abaixo fotos das minhas pacientes queridas, pacientes que pude acompanhar algumas só com exercício na gestação, outras exercício e acompanhamento de parto (doula) e outras só no pós-parto (exercícios para diminuir diástase abdominal).

As que não puderam ir, espero que nos encontremos no Encontro GestaVida em Janeiro/2014.

Beijos
 Thais Ramos