segunda-feira, 27 de julho de 2015

Lua de leite: o que, por que e como

 Texto retirado do blog: https://amaequequeroser.wordpress.com/2014/07/02/lua-de-leite/

“Uma linda lua de leite para vocês”. Via de regra, esse é o meu desejo a toda mãe recém-parida. Mas acho que poucos entendem o que estou desejando (né?). Então, aproveitando o embalo de um post que estou escrevendo sobre o puerpério, resolvi falar um pouco sobre essa ideia e “vender o peixe” da lua de leite.

A função da lua de leite é simples: fortalecer o vínculo e minimizar o estresse. Da mesma forma que a lua de mel servia (serve ainda?) um propósito de iniciar o casal na vida a dois, afastando os dois das tarefas do dia-a-dia para que entrassem em sintonia um com o outro, a lua de leite cria um espaço para o casal (e eventualmente os irmãos mais velhos) se vincular(em) e ganhar(em) intimidade com o novo ser que chegou para compor a família. Para não me estender muito (mais do que o necessário), vou tentar ser didática, para que ninguém fique achando que lua de leite é sinônimo de levar o pequerrucho para Aruba ou Paris!

O que é, exatamente, uma lua de leite?
 
Trata-se de um período para viver intensamente a vinculação com o bebê, minimizando as atividades mundanas (sair, cozinhar, limpar a casa, socializar) e o contato com o mundo e o tempo “real”. A lua de leite envolve muito contato pele a pele entre o bebê e a mãe (e o pai), pouca atividade física e mental, e, claro, bastante leite materno, pois marca o início dessa relação que é amamentar. Como numa lua de mel, também convém esquecer o relógio e as rotinas para viver integralmente no presente.

Quanto tempo leva a lua de leite?
 
Não tem regra. Vai da necessidade e do perfil de cada família. Entre duas e quatro semanas me parece um bom ponto de partida.

Qual o sentido da lua de leite?

Ao diminuir as atividades supérfluas – isto é, tudo aquilo que não envolve atender às necessidades fisiológicas e emocionais do binômio mãe-bebê – a família vivencia esse início da relação com o filho de forma plena. A lua de leite libera a mulher da necessidade de entreter os outros, fazer comida ou arrumar a casa; no lugar disso, há repouso (na medida do possível), silêncio (idem), mergulho interior, contato verdadeiro. Essa intensidade também facilita o início do aleitamento: o contato pele a pele promove a liberação de ocitocina (hormônio do vínculo e da ejeção do leite), o peito em livre demanda (sem olhar a hora) aumenta a produção de leite, bem como a confiança e a habilidade da mãe, e o contato social reduzido diminui a chance de se expor a comentários que podem minar o processo delicado de amamentar. Como a lua de leite envolve se desligar um pouco do mundo externo, as pressões sociais são aliviadas, permitindo vivenciar a montanha-russa de emoções do puerpério sem a necessidade de se justificar nem fingir que tá tudo bem.
por que lua de leite_amqqs

Isso significa que não devo receber visitas nem sair nesse período?
 
Não. Claro que não. Mas a ideia é sim reduzir as visitas e as saídas para diminuir as cobranças sociais. Para a visita, uma boa regra é: a pessoa em questão pode te ver descabelada, na cama, pelada da cintura para cima ou de roupão? Existe intimidade e boa vontade na relação, de forma que você pode ficar tranquila se, por acaso, der uma descompensada básica (leia-se: se você for grossa ou histérica, ou se simplesmente resolver expulsar todo mundo dali)? Se a resposta for “sim” então a visita não atrapalhará. Quanto a sair, se der vontade e não for uma obrigação, ou se for necessário por motivos de saúde, não vejo por que não.

Preciso me preparar ativamente para a lua de leite?
 
Sim. Salvo exceções, a sociedade hoje não está preparada para acolher as mães nesse período. Dois exemplos  claros são a prática de separar o bebê na maternidade, levando-o para o berçário, e a expectativa cultural de receber visitas imediatamente após o nascimento. Ou seja, se você e o seu companheiro não forem pró-ativos, seu puerpério seguirá o padrão da nossa sociedade: bebê separado de vocês na maternidade, colocado em berços, bebês confortos e embalados em cueiros e mantas (ao invés de em contato pele a pele) nos primeiros dias e semanas, rotinas de cuidados e mamadas com horários fixos, visitas cheias de para entreter, pitacos de parentes e amigos, tempo de conexão mãe-bebê diminuído devido à obrigação de realizar tarefas domésticas etc.
Como me preparo para a lua de leite?

Antes do nascimento:
  • deixe refeições congeladas ou organize-se para que você não tenha que pensar em preparar ou comprar comida;
  • mande um e-mail para  amigos e parentes explicando o desejo de ficar a sós com o bebê no período de x dias após o nascimento, explicando os motivos, se quiser (inspire-se no modelo abaixo);
  • combine com a equipe médica (incluindo o pediatra!) que você faz questão do contato pele a pele e da amamentação na primeira hora de vida (se precisar de respaldo, lhes envie este link);
  • crie ou fortaleça sua rede de apoio – isto é, aquelas pessoas próximas, que respeitam o seu desejo e entendem a delicadeza do pós-parto, com quem você poderá contar para ir ao mercado, passar na farmácia, limpar sua casa, e que também estejam dispostas a ouvir sem julgar, dar um ombro para você chorar e fazer carinho quando mais precisa.
lua de leite_cartinha_amqqs
Na maternidade:
  • fique em contato pele a pele com o bebê assim que ele nascer (antes de medir, pesar etc.);
  • permita que ele inicie a amamentação no tempo dele, antes de ser tirado do seu colo;
  • atrase o primeiro banho (acredite: o cheiro de um recém-nascido é algo que só pode ser comparado ao néctar dos deuses);
  • faça alojamento conjunto (i.e. evite o berçário);
  • deixe o seu companheiro/ acompanhante com a tarefa de ser o guardião da lua de leite – isto é, de proteger você e o bebê de serem separados, de evitar os protocolos do hospital que interferem na amamentação (complemento e bicos artificiais, por exemplo), de “barrar” visitas que não vão agregar.
Em casa:
  • fique peladona da cintura pra cima, com o bebê só de fralda ou pelado;
  • cheire a cria (lamber também vale!);
  • de novo, deixe o maridão ou outra pessoa da rede de apoio responsável por todo que envolve o mundo externo: telefonemas, tarefas domésticas, compras etc.
  • permita-se sentir, deixe as emoções fluirem;
  • tenha em mãos o telefone de uma doula pós-parto ou consultora de amamentação ou banco de leite, caso o bicho pegue;
  • confie… É punk, é enlouquecedor às vezes, mas é assim mesmo. Você sobreviverá.
7 leis da lua de leite_amqqs
Espero que este post contribua para que você pense com carinho na possibilidade de viver uma lua de leite, para um início de maternidade suave (na medida do possível!), integral e com bastante leitinho e cheiro de bebê.

domingo, 22 de março de 2015

Compressas Geladas para o Períneo no Pós Parto

Compressas Geladas para o Períneo no Pós parto.

Existem coisas que ninguém conta.
A gente so fica sabendo quando acontece com a gente ou nos deparamos com a vivencia da realidade. Entao você teve um lindo parto normal, natural, de cócoras, na banheira, com episiotomia ou sem, com laceração ou sem e está apaixonada pelo seu bebe. Tudo é lindo perfeito e maravilhoso... Mas vamos a realidade por que acho que nós mulheres devemos ser verdadeiras, sinceras e nos ajudar... e o períneo? Hemorroidas? O desconforto nessa região acontece. Mesmo pra quem conseguiu o sonho do períneo integro ainda existe o inchaço e o desconforto.
Uma das coisas que mais me incomodou no pos parto foram os pontos no períneo e o inchaço da regiao.  Incomodo razoável, nada de dor, apenas incomodo.
Graças a obstetra que me acompanhou no parto recebi umas compressas de gelo para aliviar o inchaço e desconforto dessa região. Que alívio! Ainda no hospital as enfermeiras me levaram compressas feitas em saquinhos de chup-chup e luvas descartáveis.
Depois em casa recebi a orientação de faze las com absorvente noturno e chá de camomila. Foi a glória! A dica é faze las por volta da 37. semana de gestação e deixa las acondicionadas no freezer.  
(Segue abaixo o passo a passo)
Quando for para a maternidade peca alguém para leva las para você. E quando chegar em casa elas já estarão prontas. O tempo ideal para usa las é por 15 min.

Sobre as hemorroidas... bom, o primeiro n.2 pós parto é tenso. Dá muito medo de abrir tudo. Mas fiquem tranquilas por que nada acontece. Também é importante ingerir bastante agua para melhorar o funcionamento do intestino e hidratar além de ajudar na produção de leite.
 Caso você sinta dor informe seu obstetra. Pomadas, lubrificantes, sprays podem ajudar. Evite usar papel para se limpar/secar, prefira ducha higiênica e se seque com toalhinhas ou compressas.
Abaixo esta o passo a passo e materiais utilizados para fazer a compressa e mais dicas para aliviar o desconforto da região do períneo e hemorroidas.
Usar ducha higiênica quando for ao toillete,  toalhinhas ou compressas cirurgicas para se secar.  
Conversar com o seu Obstetra sobre sprays ou pomadas para a região.

Materiais:

Um pacote de absorvente noturno com cobertura suave ou de sua preferencia.
Cha de camomila concentrado.
Papel Aluminio
Saquinhos de plástico
Um estojo para acondicionar os absorventes no freezer




Preparar o cha de camomila concentrado, deixar em infusão esfriando.



Abrir o absorvente sem retirar da embalagem e sem retirar a fita adesiva.



Umedecer a região mais central do absorvente ate encharca la. Usei por volta de 15-20 colheres de sopa em cada. Mas depende do tamanho e da absorção do absorvente que você irá usar. o importante é encharcar a regiao mais central.



Fechar.


Embrulhar no papel alumínio para proteger. Se levar para maternidade não vai descongelar rápido.


Colocar todos no saquinho e organizar em uma vasilha plástica.

Levar para o Freezer. Retirar do freezer alguns minutos antes de usar.  Fazer compressas de 15 min. sempre que sentir necessidade.




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Relato de Parto da Larice mãe da Lara

 Nascimento da Lara

Em 2014 Deus nos presenteou com a nossa pequena e sorridente Lara!

Nos presenteou também com esta linda cena de parto, da qual tenho muito orgulho, pois foge dos padrões convencionais!

Pós Parto Imediato

 Foi um parto normal, sem anestesia, sem episiotomia e graças a Deus rápido (um parto a jato). Já cheguei no hospital com 10 cm de dilatação e a Lara nasceu ali no pronto socorro mesmo, não deu tempo de ir para o centro cirúrgico, nem tampouco colocar touca e camisolinha. Foi um parto rápido graças à Deus e sem intervenções graças a Ele e à minha santa doula Thaís Ramos.

 Sei que o papel de doula não é o de impedir episiotomia, mas no meu caso foi graças à doula que eu não sofri esta intervenção desnecessária ( na maioria das vezes). Como lhe sou grata por isto Thaís! Como a minha obstetra Jaqueline Alvarenga estava ainda a caminho do hospital e Lara já estava nascendo, fui atendida pela médica de plantão.

Eu fiquei assustada e perguntei para a médica: O bebê está nascendo? E ela me disse: - Sim, e vai nascer comigo, sendo que você nunca me viu antes.

Para completar, no meio do trabalho de parto eu perguntei a esta médica se ela iria fazer a episiotomia, e ela me disse que sim, que precisava ser feito para o bebê nascer. E eu disse à ela que não, que a minha médica não ia fazer este procedimento. Mas ela me ignorou e pegou o bisturi.

A enfermeira ainda zombou dizendo que as pacientes da Dra. Jaqueline eram todas diferentes. Neste exato momento a Thaís chegou e fez um sinal para a médica parar. Desta forma, a minha doula foi a responsável pelo parto ter sido sem intervenções.

 Agora eu entendo porque na maioria dos relatos de parto que li no grupo Gesta Vida as pessoas empregam o pronome possessivo "minha" doula. Doula é uma profissão tão linda que dá vontade de dizer que você tem uma! A Thaís desempenha esta profissão com tanta dedicação e amor que dá orgulho de dizer "minha doula".

Lara minutos após o seu nascimento 
 As fotos do parto postadas aqui são de sua autoria. Além de doula também é uma excelente fotógrafa. Obrigada Thaís! Uma pena que o nosso contato tenha sido tão curto, pelo fato de morar distante.

E por falar em distância, este é outro ponto que quero chegar. Infelizmente no Brasil é preciso lutar para se ter um parto normal, e é por isso que mesmo morando em Alegre fui ter meu parto em Vila Velha.

 Fui atrás de um médico humanizado. Estes profissionais são raros! Sabia que a chance de ter um parto normal com um médico não humanizado seria mínima. E mais uma vez Deus colocou uma excelente profissional em meu caminho, Dra. Jaqueline. Ela também foi responsável pelo parto ter sido tão tranqüilo.

Durante todo o pré-natal sempre me orientou sobre o parto normal, me disponibilizando livros e vídeos e me transmitindo muita segurança. Dra. Jaqueline chegou logo depois da Thaís no pronto socorro, e assim que ela entrou todos saíram de cena, a médica plantonista e a enfermeira que gritava comigo para fazer força direito por que se não o bebê não ia nascer. Dra. Jaqueline a primeira coisa que fez foi me perguntar se eu gostaria de mudar de posição e a Thaís acariciou os meus cabelos dizendo que estava tudo bem.

Profissionais humanizados, isto faz toda a diferença! Lara nasceu logo depois! E para completar o papai cortou o cordão umbilical e a Lara veio para o meu colo amamentar assim que nasceu. Isto também faz toda a diferença! Lara amamenta até hoje exclusivamente no peito!

 Bom, e por que estou contando tudo isso?

 Porque eu gostaria muito de contribuir para mudar mais uma posição lamentável que o Brasil ocupa: ser o único país no mundo onde o número de cirurgias cesarianas é maior que o de partos normais.

Quem sabe consigo inspirar alguma mulher a ser protagonista do próprio parto e acreditar na sua capacidade fisiológica de parir. Mas, fica a seguinte dica:

1) Contrate uma doula! 

Não consigo me ver parindo sem ter uma doula! No auge da minha dor, a caminho do hospital, eu só me lembrava da doula.

Cheguei a pensar que se aquela dor persistisse eu não agüentaria e pediria a cesárea. Por isto, acho que a ajuda de um profissional qualificado é essencial. Além do mais, as dicas que Thaís me repassou na manhã do parto contribuíram muito para que eu ficasse tranqüila, sentindo as contrações em casa, sem correr para o hospital.

 Thaís me disse que eu já estava em trabalho de parto e que o bebê nasceria provavelmente na madrugada. Foi ótimo saber de uma profissional que tudo o que estava acontecendo comigo era normal e que o melhor era me alimentar e descansar para guardar energia para a hora do parto. Por isto, fiquei bem tranqüila, sentindo todas as dores no conforto do meu lar, e só quando não agüentei mais corri para o hospital.

Além disso, como infelizmente no Brasil não basta a mulher querer para se ter um parto normal, também fica a dica:

2) Procure médicos humanizados! 

Não adianta aqueles que falam que faz parto normal, você tem que procurar um médico que realmente é adepto ao parto normal. Se não, você passará por um sério risco de ter uma cesárea desnecessária. Além do mais, se você optar por uma cesárea, o médico humanizado respeitará sua decisão e também o tempo do bebê, evitando as cesáreas agendadas.

No mais é isto, e como diria Michel Odent (médico obstetra pioneiro nas práticas do nascimento humanizado) " para mudarmos o mundo precisamos mudar a forma como nascemos"

Lara com 11 meses

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Férias...

Bom dia,

A partir de hoje eu não responderei mensagens no instagram, Facebook, whatsapp e-mail.

Estou de férias, vou viajar e me desligar um pouco...

Até a volta....


Parto Humanizado da Fabiana e André, pais do Cauã

Essa é a Fabiana.

Ela teve seu bebê na segunda feira e me autorizou mostrar algumas fotos do expulsivo.

Seu parto foi lindo e rápido. Parabéns Fabi!!

Abaixo algumas frases do seu relato de parto!!!

"Chegou um momento que eu senti a necessidade de gritar, de colocar a energia para fora, sentia meu corpo se preparar para a fase final"

"No final, parei de sentir a dor e comecei a sentir vontade de fazer força instintivamente, mesmo sem ter sido avaliada, eu sabia que estava na fase final. "

"As contrações para fazer a força são mais tranquilas, dá para controlar com a respiração..."

" Só conseguia pensar que ele tinha que nascer, fechei os olhos e fazia a força, ela é a parte mais fácil do trabalho de parto, fazer força não doi..."

01:15 iniciou meu trabalho de parto e as 04:07 Cauã nasceu!!

26/01/2015

domingo, 25 de janeiro de 2015

Das Dor


Por Roselene de Araújo

A gente pode dissecar a questão da dor de infinitos modos. Sempre haverá uma maneira diferente de compreendê-la... Meu desejo seria poder escrever um texto tão sensível que fizesse todas as mulheres compreenderem o sentido da dor e aceitarem-se aliadas a ela ao invés de armarem-se para combatê-la. Mas sei que isto não é possível, porque meu texto será único, e as mulheres, infinitas em suas vivências e imagens da dor do parto construídas ao longo de suas vidas, mais ou menos maleáveis.

A dor (do parto) não é uma grandeza absoluta. Não mede xis unidades de qualquer coisa. Ela é relativa, e a múltiplos fatores combinados entre si, físicos e psíquicos, conscientes e inconscientes, e a combinação de todos eles produz a percepção psíco-física individual.

Não existe uma dor absoluta denominada "dor do parto". Mas quero deixar bem claro o que significa isso que acabei de dizer, e a principal coisa que isso NÃO significa é que a dor não exista. Porque o potencial pra doer beirando o insuportável é enorme. A probabilidade de sentir a mais punk das dores é esmagadora. Sim, há quem não sinta nada, mas é exceção. Não contem com isso.

Dói tanto porque o parto humano é o que apresenta a relação céfalo-pélvica mais estreita da natureza. Um dia resolvemos descer das árvores e caminhar sobre duas pernas. Outro dia resolvemos engrossar nossa camada de neo-córtex cerebral. Bípedes e cabeçudos, porque somos metidos a não ser bestas. E na hora de parir nossos filhotes... agüenta aquele canal estreitinho onde mal se conseguia enfiar um ob dilatando até 10cm de diâmetro pra passar um bitelão de 4kg... Dói, mas literalmente, passa.

Essa dor alucinante pode ser reconhecida como suportável quando a mulher, em primeiro lugar, ACEITA a participação dessa dor no trabalho de parto. A atitude em relação à dor poderia então ser de aceitação de alguma coisa que faz parte da natureza do nosso corpo. A dor (do parto) não é alguma coisa a vencer, não é alguma coisa contra a qual devemos lutar, porque ela não resulta de uma patologia, ela não
sinaliza alguma coisa que está errada, como uma fratura, por exemplo. Não. Ela sinaliza o processo fisiológico do parto. Essa dor é alguma coisa que só falta a gente enxergar que é aliada. Ela te deixa irritada e vc expulsa da sala quem tá sobrando, e vc não teria coragem de fazer isso se estivesse sóbria. Ela te leva a fazer força, ou a se contorcer, a gritar, gemer, e entre as contrações os intervalos são indolores e vc pode relaxar. A dor intensa leva ao transe, e esse transe tem que ser aproveitado, ele faz parte. E vem de dentro. Você não precisa de anestésicos, perneira, ordem pra fazer força, fórcipe. Você precisa de liberdade para vivenciar seu parto.

A dor do parto É você, que não deveria deixar esta parte de você ser subtraída por uma covardia que vem de fora. Quando uma mulher faz opção pela anestesia, certamente não foi pelas mãos dela que aquele aparato todo foi disponibilizado. Existem séculos de uma cultura desfeminilizante costurando essa rede em que se cai tão facilmente,
como eu mesma caí nos meus partos. É o médico que precisa da anestesia, são os outros que precisam do conforto de uma mulher parindo quietinha, como uma boa menina.

E tem outro aspecto que eu acho muito interessante que é a coisa do ritual de passagem. Nós cultivamos algumas manifestações externas de rituais, como casamentos, batizados, bar-mitzvahs, aniversários, festas da primavera, e essas festas refletem a nossa necessidade humana de marcar as passagens das fases, de criança inimputável para o adulto responsável, da vida individual para a vida em família, de um período de dureza para outro de fartura, enfim, quando passamos de uma fase para outra sem essa marca fica faltando alguma coisa. É da nossa natureza. Tive um tio que foi tratado com hormônios nos anos 40 para acelerar seu crescimento. Na verdade ele foi cobaia das primeiras experimentações com hormônios no Brasil. De um dia para o outro ganhou pelos pelo corpo, engrossou a voz, a adolescência que deveria prepará-lo vagarosamente para a idade adulta veio num turbilhão que ele não deu conta e ninguém à volta dele compreendeu.
Ele enlouqueceu.

Assim é com o parto. Quando se tenta ao máximo passar por ele como se nada tivesse acontecido - e o ápice disso é a cesárea eletiva, está-se pulando um ritual fundamental para o início da maternidade. E o efeito cascata começa: dificuldade de estabelecer vínculo com o bb, depressão pós-parto, "falta" de leite, intolerância ao comportamento do bb. O parto normal cheio de intervenções, do qual se diz "ah, foi uma beleza, não senti na-da!!! fiquei ali, conversando, e em xis (poucas) horas o bb nasceu!!" não é muito menos maquiagem da passagem. Sim, "de repente" o bb estava ali. E ela não precisou fazer nada. Inicia-se a maternidade com a sensação de que "não é preciso fazer nada" para ser mãe. E começa a transferência de responsabilidade... impulsionada pela sensação inconsciente de que a maternidade moderna NÃO PODE ser trabalhosa.

E esse caráter trabalhoso que a maternidade efetivamente tem, não é, como nossa sociedade acredita, um sofrimento, um castigo do qual devemos nos livrar. Ao contrário, ela contém o extremo prazer que sentem as pessoas que superam desafios, que começa pela superação da própria gravidez, convivendo por exemplo com enjôos e mudanças no corpo e na vida como um todo sem a compulsão de querer lutar contra isso. É irreversível.

O processo do parto vem sendo aprimorado há milhões de anos (ou milhares, depende do critério), e a humanidade definitivamente  não aperfeiçoou este processo, apenas o corrompeu nos últimos anos. Anestesia, ocitocina na veia, posição horizontal, raspagens, submissão a alguém como dono do parto, kristeller, episiotomia, tudo isso num trabalho de parto que está transcorrendo sem intercorrências, não é evolução: é perversão. Das grossas.

Você e seu bb não precisam de mais nada além dos seus corpos com seus hormônios para permitir o nascimento. Mas não esqueça de ter alguém pra te dar uns beijos na boca** e pegar seu bebê! 

E ainda faltou falar um monte de coisa, como por exemplo o arquétipo da dor como sofrimento herdada do castigo dado a Eva. Vou procurar uma mensagem em que falo sobre isso...

Roselene de Araújo


São Paulo-SP, março de 2006

Pega errada, dor ao amamentar, não sabe ordenhar? Procure o Banco de Leite

Muitas mulheres não sabem da existência de bancos de leite ou para que servem e o que eles orientam.

A primeira orientação que dou para minhas pacientes que tiveram bebês é: procure o banco de leite assim que tiver alta do hospital.

Os Bancos de leite são centros de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Não é um lugar apenas para doação de leite. Em outras palavras: lá você encontrará profissionais capacitados para ajudá-la a resolver os naturais problemas ( dor ao amamentar, pegar errada, fissura, mastite, como ordenhar,  entre outrosque podem acontecer no processo da amamentação.



O que é um Banco de Leite Humano?
Um Banco de Leite Humano é um centro ou departamento especializado,
habitualmente em interdependência direta de uma ou mais Unidades de
Cuidados Intensivos Neonatais, que tem por objetivo a promoção do
aleitamento materno e a recolha, processamento, controlo e distribuição de leite de doadoras saudáveis. A atividade do Banco de Leite Humano não tem fins lucrativos, sendo gratuito o processo de doação do leite, assim como a sua distribuição após prescrição médica
.


Procure o mais próximo da sua casa e aproveite esse serviço gratuito de ajuda as novas mamães!

BANCOS DE LEITE

Banco de Leite da Santa Casa de Misericórdia de Vitória
Endereço: Rua Dr. Jones Santos Neves, 143, Vila Rubim, Vitória - ES
Telefone: (27) 3322.0074 / (27) 3212.7200
Email:provedoria@santacasavitoria.org
Banco de Leite do Hospital da Polícia Militar
Endereço: Rua Joubert de Barros, 555, Bento Ferreira, Vitória - ES
Telefone: (27) 3636-6568
Email: blh.ds@pm.es.gov.br
Banco de Leite do Hospital Dr. Dório Silva
Endereço: Avenida Eudes Scherrer s/nº, Laranjeiras, Serra - ES
Telefone: (27) 3138.8905 - (27) 3328.3611
Email:hds.blh@saude.es.gov.br
Banco de Leite do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim
Endereço: R Manoel Braga Machado nº 9, 2º andar, Ferroviários, Cachoeiro de Itapemirim - ES
Telefone: (28) 3521.7045 / (28) 3526.6166 ramal 199
Banco de Leite do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes - HUCAM
Endereço: Av. Marechal Campos, Maruipe, Vitória - ES
Telefone: (27) 3335.7377
Email:blh_hucam@yahoo.com.br
Banco de Leite do Hospital Infantil de Vila Velha
Endereço: Av. Ministro Salgado Filho, 918, Soteco, Vila Velha - ES
Telefone: (27) 3380.9493
Banco de Leite do Hospital São José
Endereço: Colatina - ES
Telefone: (27) 3722.4977